Rumo à Liberdade: Kesha precisou salvar a própria vida antes de fazer um dos melhores discos pop do ano

RollingStone - 5 horas 56 minutos atrás

“Podemos começar de novo?” A mulher alta usando camiseta vintage Rolling Stones não está feliz com seu grito. Os imponentes riffs de guitarra do clássico do T. Rex “Children of the Revolution”, de 1972, recomeçam e, desta vez, Kesha saúda com um “Yowww!” feral. Muito melhor. Ela segue em frente.

Kesha está atualmente uivando na sexta tomada da noite em um estúdio de Los Angeles, depois de tirar o paletó de seu terno de listras brilhantes feito sob medida, que combinou com botas de caubói. Canta muito bem, está linda, mas quem é essa pessoa? Claramente, a antiga Ke$ha – dos vocais digitalmente retocados e que “escovava os dentes com uísque” – não pode “vir ao telefone no momento”. Aos 30 anos, recuperando-se de um transtorno alimentar que quase a matou e de uma batalha legal intensa e ainda não resolvida com seu produtor de longa data, Kesha Rose Sebert quer finalmente mostrar quem realmente é.

Um amigo de Nashville que a orienta com “ioga e cantos e tal” – “toda essa merda hippie” – disse que “todos queremos ser vistos”, e essa pérola de sabedoria ressoou. “Sinto que sou eu mesma pela primeira vez na vida”, afirma Kesha. “E fiz um disco do qual estou extremamente orgulhosa, do fundo do coração – escavei nas minhas entranhas as letras mais sinistras, o que foi muito difícil para mim. E as pessoas gostam!”

A escavação de entranhas resultou no eclético Rainbow, seu muito adiado terceiro álbum, lançado em agosto, que se mostrou um dos melhores do ano – cru, emocionalmente complexo, uma surpresa total. Ela pega forte no rock, especialmente em duas faixas empolgantes gravadas com o Eagles of Death Metal, que conhece desde que era uma superfã adolescente, entrando escondida nos shows e ficando amiga da banda aos 14 anos. “Perguntei: ‘você quer a gente no disco quando há tanta coisa em jogo?’”, conta o líder do Eagles, Jesse Hughes. Também há country, afinal a artista passou parte da infância em Nashville. Ela faz um dueto com Dolly Parton em “Old Flames (Can’t Hold a Candle to You)”, música antiga coescrita pela mãe de Kesha, Pebe Sebert, que foi um sucesso country na voz de Dolly em 1980.

Ela decidiu não falar mais uma palavra sobre a guerra contra o ex-produtor, Dr. Luke (nascido Lukasz Gottwald). Kesha o processou em 2014, acusando-o de “anos de abuso incansável” e de estupro – o que Luke negou veementemente e revidou com processos por difamação e quebra de contrato. Ele alega que Kesha fabricou as alegações para tentar sair de seus contratos. Agora, a cantora parece estar se coçando para superar tudo isso. Hughes é menos discreto sobre o assunto. “Quando ela estava passando por aquela merda”, diz, sem ser questionado, “fomos como seus irmãos mais velhos. Eu perguntava: ‘Bato em quem? Quer que eu vá até a casa dele? Quer que eu encha o cara de porrada e acabe com o contrato? Posso fazer isso’. É assim que me senti. Sem mentira, cara.”

Enquanto sua versão de “Children of the Revolution” toca, Kesha, desconfiada, torce o nariz sardento e com um piercing de argola dourada. Parece boa demais? “Parece que você está ao vivo com a banda”, diz o produtor, Hal Willner, de 61 anos, usando um discurso educado aprimorado ao longo de décadas. “É como quero que soe”, ela diz. Levanta um dedo em advertência e aperta os olhos: “Nem pense em apertar o botão do Auto-Tune”. Willner responde: “Não saberíamos nem como usar isso”. Ela ri, aliviada.

Uma hora depois, ouve uma versão quase final da música, compilada a partir de várias tomadas que gravou. “Ficou bom pra caralho”, diz, movendo a pelve exultante, para ninguém em particular. O que foi isso, alguém pergunta, em meio a risadas gerais. “Então, não é um convite para alguém chupar meu pau”, responde de forma nada convincente, e ri.

Não é só o Auto-Tune que ela deixou para trás. É a ideia de “perfeição”, o pesadelo cintilante, retocado, faminto, impossível que isso representa. “Perfeição” a deixou doente, literalmente. “Não sei lidar com essa palavra”, afirma. “‘Perfeição’ é uma palavra complicada, porque é, tipo, ‘que porra é isso, perfeito? Quem decide isso?’ Tipo podem enfiar isso no rabo.”

Kesha está chorando. Não copiosamente nem nada, mas seus olhos azuis ficam mais brilhantes com a umidade das lágrimas. Ela se emocionou pensando nos fãs, em como têm sido “inabaláveis”. A cantora não menciona, mas alguns deles chegaram ao ponto de fazer protestos públicos para tentar liberá-la do contrato de gravação: “free kesha”, diziam seus cartazes e hashtags. “Não sei o que fiz para merecer gente tão maravilhosa na minha vida”, diz, perdendo a voz.

Em um tribunal de Nova York, em fevereiro do ano passado, Kesha caiu no choro enquanto uma juíza decidiu contra seu pedido de uma injunção rápida que lhe permitiria gravar por um selo diferente (a mesma juíza, posteriormente, desmereceu grande parte do caso, em uma decisão da qual a cantora está recorrendo mesmo enquanto o processo de Dr. Luke por difamação continua, sem data para julgamento). Quando fotos do momento e a notícia sobre o julgamento se espalharam, sua causa se tornou uma sensação internacional, com muitas das mulheres mais famosas da música (e alguns homens) expressando solidariedade: Adele fez isso no palco do Brit Awards e Taylor Swift doou US$ 250 mil para as despesas legais de Kesha.

Sem dúvida ela está emotiva ultimamente – à flor da pele. “Não tenho nada a esconder”, afirma. “O bonito, o bom, o ruim, o feio, tudo.” A recuperação de um transtorno alimentar, explica, traz o mesmo tipo de sensibilidade trêmula e de olhos esbugalhados que adictos em recuperação vivenciam. Um dos cocompositores de Rainbow, Ricky Reed, lembra que ela se desmanchava em lágrimas durante as sessões e precisou de estímulo no começo. “Amo suas ideias”, acabou dizendo a ela. “Você é boa compositora. Quem diz o contrário está errado.”

O disco abre com “Bastards”, uma faixa que condensa o quanto Kesha se afastou de suas raízes electro. Na primeira metade, tudo o que ouvimos é sua voz linda e sem truques, e um violão: “Ainda tenho que provar para muitas pessoas que elas estavam erradas”, começa. “Todos esses desgraçados foram ruins por tempo demais. Ela meio que resume o que acho de gente ruim”, diz. “Eu acho que ser legal não é superestimado.”

Ela já se sentia deslocada desde o ensino fundamental, quando os alunos populares zombavam dela. Era uma criança artística, de uma família incomum. Sabia que queria ser cantora desde os 2 anos e a mãe tratava sua futura carreira como um fato estabelecido, dizendo coisas como “quando você lançar seu primeiro disco...” Kesha fazia as próprias roupas, pensava em videoclipes desde os 9 anos, mas nada disso caía muito bem na escola. “Eu me recusava em me enquadrar”, lembra, “e eles se recusavam a ser legais.” A certa altura, alguns garotos fizeram uma pegadinha elaborada que terminou com as mãos dela amarradas a uma mesa na cantina. Anos depois, enquanto estava sentada em uma premiação “ao lado de Rihanna e Katy Perry e tal”, esses sentimentos voltaram. “Me senti tão forasteira, a mesma pessoa sentada à mesa do recreio.” Rainbow termina com “Spaceship”, em que ela imagina uma volta a um planeta alienígena onde se sentirá em casa.

Durante muitos anos, Kesha sentia que tinha de “vestir um certo número” e tomou medidas cada vez mais extremas para tal. Diz que “algumas pessoas” à sua volta a humilhavam por querer comer (nos documentos do processo, acusou Dr. Luke de chamá-la de “uma porra de uma geladeira gorda” – ele nega que a pressionou para perder peso). “Eu realmente achava que não deveria consumir comida”, lembra. Ela não hesita nesse tópico, não fica emotiva, nem mesmo nas partes mais sombrias. Quer que as pessoas conheçam esta história, virar um exemplo da importância de buscar ajuda e ficar saudável. “E se comia sentia muita vergonha e me forçava a vomitar porque pensava: ‘Ai, meu Deus, não acredito que fiz essa coisa horrível. Estou tão envergonhada porque não mereço comer.” O que, de certa forma, significa que ela decidiu que não merecia viver. “Eu estava lentamente me fazendo passar fome. E quanto pior e mais doente ficava mais bonita estava, na opinião de muita gente’.”

Ela lembra que tudo chegou ao ápice em um jantar com amigos e família. Ficou ali, fingindo comer, tentando pensar em um jeito de esconder a comida. “Pensei: ‘E se forem lá fora e encontrarem essa comida em uma planta? Ou virem na lata de lixo?’ E senti uma ansiedade crescente. Finalmente, falei ‘foda-se. Esta. Merda. Foda-se esta merda. Estou com fome!’ E estou tão ansiosa que acho que vou explodir com todos esses segredos.”

Pouco depois, parou o carro no estacionamento de um posto de gasolina e pediu para a mãe encontrá-la ali. Precisava de ajuda. “Não sabia nem como comer.” A mãe foi junto com ela para a reabilitação. Lá, uma nutricionista ensinou Kesha a se manter viva. “Lembro que chorei com um carboidrato. ‘Não posso comer isso, vai me deixar gorda, e se for gorda não posso ser cantora, porque estrelas pop não podem comer – não podem ser gordas’.”

Mesmo enquanto começou a recuperar a saúde, sentia que era “uma perdedora”. Pelo menos até um amigo da indústria musical, que ela não diz quem é, ligar para ela no dia seguinte a uma cerimônia do Grammy durante a qual recebeu vários troféus. “Ele falou: ‘Parabéns pra você’. Perguntei: ‘Por quê?’ E ele: ‘Quem se importa com prêmios Grammy? Você acabou de salvar sua vida’. E fiquei espantada com aquilo, porque me fez olhar para tudo de um jeito totalmente diferente.”

Kesha ficará bem no final? Para responder isso, permita que seu velho amigo Hughes conte uma história. Um dia, ela estava fumando maconha com o pessoal do Eagles of Death Metal, aos 16 anos. Um rapaz – que não era da banda – agarrou um de seus seios. Ela calmamente perguntou se aquilo era um acidente, se ele queria na verdade passar o baseado. Não, ele respondeu, e ela não hesitou. “Deu um puta soco nele”, Hughes lembra, com admiração palpável. “Pá! Foi bem na boca e rachou o lábio superior. Então, ele pediu desculpa, e ela perdoou.” Hughes ri. “Eu a admiro. É uma puta de uma heroína e uma lutadora.” E acrescenta um argumento final saliente: “E ela vence”.

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Anitta divulga capa de 'Vai Malandra' e fãs comemoram

Terra Música - 7 horas 9 minutos atrás
Eis a capa oficial de "Vai Malandra", de Anitta! O clipe, que foi gravado na favela do Vidigal, ...
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Jack White de volta? Músico da indícios de novo disco com vídeo surrealista

RollingStone - 7 horas 45 minutos atrás

Jack White revelou um estranho vídeo com colagens e trechos de canções, chamado “Servings and Portions From My Boarding House Reach”. O que parece ser uma espécie de trailer ou teaser está disponível para streaming a partir desta terça, 12.

White tem trabalhado em um novo álbum solo e “Servings and Portions” está recheada de trechos de novas canções. Há partes com batidas de hip-hop, pianos de jazz e White entregando uma versão sentimental de “(What's So Funny 'Bout) Peace, Love and Understanding”, de Elvis Costello. O vídeo também inclui uma parte acústica com sintetizadores futuristas, uma balada ao piano e – naturalmente – um solo estridente de guitarra.

(lista) Dez grandes influências de Jack White

O vídeo de “Servings and Portions” também traz diversas cenas dos companheiros de banda de White em estúdio. Imagens aleatórias surgem exibindo desde luzes fluorescentes abstratas e estáticas até relógios, alto-falantes e uma pilha de brinquedos que trazem os dizeres “Kale” e “Leak”.

Não está claro se há alguma conexão entre “Servings and Portions From My Boarding House Reach” e um potencial novo disco do guitarrista. Em novembro, durante um discurso em Detroit, nos Estados Unidos, White disse que o próximo LP dele estava “praticamente pronto”. “É um disco bizarro”, comentou, na ocasião. “Acabei de finalizá-lo. Preciso ouví-lo agora. Não consigo ouvir por conta própria há algum tempo.”

White lançou o último disco solo, Lazaretto, em 2014. Em 2015, a outra banda dele, o Dead Weather, lançou Dodge and Burn. No ano passado, le soltou uma coletânea, Acoustic Recordings 1998 - 2016. Em abril, White lançou uma nova faixa instrumental, “Battle Cry”. No meio do ano, ele se juntou a diversos artista do selo dele, Third Man Records, para outra canção, “Strike Out”, disponível apenas em um jogo do time Detroit Tigers.

Assista ao vídeo de “Servings and Portions From My Boarding House Reach”.

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Didático e emocionante, Cora Coralina – Todas as Vidas conta a surpreendente histórias de uma das maiores escritoras do Brasil

RollingStone - 12 horas 25 minutos atrás

No começo da década de 1980, uma senhora de 90 anos começou a aparecer na mídia impressa e em programas de televisão. O nome dela era Cora Coralina, escritora e poetisa nascida em Goiás. De repente, ela estava sendo entrevistada por Hebe Camargo e várias celebridades queriam tirar foto com ela. Apesar da aparência frágil e da dificuldade de locomoção, a velhinha era lúcida como poucos. E as palavras dela carregavam uma sabedoria milenar por meio de uma voz firme que ainda impressionava. Cora Coralina, na verdade, era o pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Com muita dificuldade, ela havia publicado Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, seu primeiro livro, em 1965, quando tinha 75 anos. Excetuando vizinhos e parentes, porém, ninguém sabia quem era ela ou o que havia feito da vida.

Cora só foi realmente descoberta em 1980, quando Carlos Drummond de Andrade referendou a obra dela em uma matéria no Jornal do Brasil. “Este nome não inventei, existe mesmo, é de uma mulher que vive em Goiás: Cora Coralina. Ela é, para mim, a pessoa mais importante de Goiás. Mais do que o governador, as excelências parlamentares, os homens ricos e influentes do Estado. Entretanto, uma velhinha sem posses, rica apenas de sua poesia, de sua invenção, e identificada com a vida como é por exemplo, uma estrada. Na estrada que é Cora Coralina, passam o Brasil velho e o atual, passam as crianças e os miseráveis de hoje”, disse ele no texto.

Os críticos de literatura se encantaram e notaram que Cora não era apenas uma curiosidade, era realmente uma das mais talentosas e incisivas escritoras nascidas em nosso território. O interesse pela pessoa dela foi enorme e os jornalistas descobriram que a autora, além de tudo, tinha uma vida cinematográfica. Cora morreu em 1985, e esses últimos anos de vida dela foram frenéticos – ela recebeu um sem número de homenagens. A consagração veio tarde, mas foi definitiva.

A incrível vida e a essencial obra da escritora são revistas no docudrama Cora Coralina - Todas as Vidas, que estreia nesta quinta, 14. Dirigido por Renato Barbieri, o filme é baseado no livro Cora Coralina - Raízes de Aninha, de Clóvis Carvalho Britto e Rita Elisa Seda, que acaba de ganhar sua sexta edição, pela editora Ideias e Letras. O longa traz depoimentos dos autores do livro, de estudiosos, de pessoas que conheceram a escritora, e resgata cenas de arquivo da própria Cora. Ele é por reconstruções dramáticas atuadas por Camila de Queiroga Salles, Camila Márdila, Maju Souza, Tereza Seiblitz e Walderez de Barros, que vivem Cora em diversas fases. Beth Goulart e Zezé Motta também aparecem interpretando textos e poesias de Cora.

Como apontou Carlos Drummond, Cora era uma pessoa sem posses, extremamente humilde, que mesmo sem acesso a rádio, televisão e telefone era dona de uma cultura e visão de mundo impressionantes, apenas lendo os poucos jornais que chegavam até ela.

Ela se casou, teve alguns filhos, mas no geral sempre foi uma pessoa solitária e andarilha. Por cerca de 45 anos, viveu em diferentes cidades no estado de São Paulo. Somente quando voltou para Goiás pensou em publicar suas obras. Um dos grandes dons dela era o de observação, isso que ainda impressiona na escrita dela: uma prosa/poesia descritiva com tom um tanto fatalista e naturalista, mas repleto de compaixão e humanidade. Mesmo com um aspecto folclórico e rural e alguns temas situados em um Brasil de outrora, as escritas de Cora nunca perderam a atualidade.

Enquanto rodava o país e colhia material, a artista criava a família e escrevia para ela mesma. Cora, precisando ganhar a vida, se virava como doceira e, por causa deste dom, tornou-se bem conhecida na região. Era devota de São Francisco e, ainda que ela própria fosse uma pessoa bem pobre, sempre ajudava os necessitados. Cora escreveu em vários jornais nas cidades onde viveu e também teve participação na Revolução Constitucionalista de 1932. Com suas atitudes, lutou pela emancipação da mulher em tempos nos quais ninguém falava disso, especialmente em locais distantes das grandes metrópoles. Ela criou poesias falando de prostitutas, menores abandonados, presidiários e homens do campo e também se envolveu em questões ambientais.

O filme conta como surgiu o marcante apelido com o qual se tornou conhecida. Na região onde a futura escritora nasceu, a padroeira era a Santa Ana. Assim, muitas meninas eram batizadas de Ana ou de alguma variação do nome. Quando Cora ainda era garota já achava que um dia seria conhecida por alguma coisa importante, não queria ser “mais uma Ana da região”. Assim, surgiu Cora Coralina. Uma vez, ela definiu-se assim: “Mulher sertaneja, livre, turbulenta, cultivadamente rude. Inserida na Gleba. Mulher terra. Nos meus reservatórios secretos um vago sentimento de analfabetismo. Doceira fui e gosto de ter sido. Mulher operária”. Todas estas facetas estão em Cora Coralina – Todas as Vidas, retrato imperdível desta figura impar da cultura brasileira.

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Chute em fotógrafa, corte na própria testa e pedido de desculpa: o descontrole de Josh Homme que chocou os fãs do QoTSA

RollingStone - seg, 11/12/2017 - 16:49

Josh Homme foi às redes sociais para pedir desculpas por ter chutado o rosto da fotógrafa Chelsea Lauren durante um show do Queens of the Stone Age no último sábado, 9, pelo evento natalino KROQ Acoustic, em Inglewood, na Califórnia (EUA). Em vídeo postado no Twitter, o músico fala diretamente a Chelsea, dizendo: “Fui um completo idiota, e estou verdadeiramente arrependido, espero que você esteja bem.”

Homme inicia o vídeo endereçando o incidente, no qual ele chutou a câmera de Chelsea, levando-a a cair no chão.

“Na noite passada, em um show do Queens of the Stone Age, eu chutei a câmera de uma fotógrafa, e a câmera bateu no rosto da fotógrafa, e essa fotógrafa se chama Chelsea Lauren”, diz. “Só gostaria de me desculpar à Chelsea Lauren. Não tem desculpa ou justificativa para o que fiz… Errei muitas vezes na minha vida e, na noite passada, aconteceu de novo. Peço desculpas a você por aquilo.”

(resenha) Josh Homme cai no glam rock no novo disco do Queens of the Stone Age

“Quero ser um cara bom, mas acho que noite passada eu definitivamente falhei nisso”, o guitarrista continuou. “Isso significa que falhei com a minha família e também com meus amigos. Não quero nunca que eles sintam vergonha por estarem perto de mim ou por me conhecerem. Então, peço desculpas também para meus companheiros de banda, para minha mãe e meu pai, minha esposa, meu irmão e meus filhos.”

Homme ainda seguiu com o pedido de desculpas. “Tenho que resolver algumas coisas, acho. Porque rock and roll é uma coisa maravilhosa. E deveria ser sobre salvar e ajudar pessoas, não atrapalhá-las. Então, Chelsea Lauren: Espero que você esteja bem e peço desculpas reais. Entendo que você tenha que fazer o que for fazer. Só quero que saiba que estou arrependido. Boa noite e tudo de bom.”

Veja o vídeo abaixo.

pic.twitter.com/LUdxsTQE6P

— QOTSA (@qotsa) December 11, 2017

Chelsea Lauren, uma fotógrafa da agência Shutterstock, detalhou o incidente em entrevista ao site Variety, dizendo que Homme estava “obviamente muito intencionado” em chutá-la. Ele abriu um sorriso anteriormente (um ato que ela parece ter capturado em foto e postado no Instagram).

“Josh estava vindo e eu estava bem animada”, ela disse. “Eu nunca fotografei o Queens of the Stone Age antes, então estava realmente focada. Avistei-o vindo em minha direção e estava clicando. Logo depois, percebi que o pé dele bateu na minha câmera e minha câmera bateu na minha cabeça, muito forte. Ele olhou direto para mim, colocou a perna para trás bem rápido e me deu um chute no rosto com toda potência. Ele continuou tocando, eu fiquei estatelada, meio que parei de olhar para ele, só caí e fiquei com as mãos no rosto, porque estava doendo muito.”

Chelsea voltou para fotografar o show do Thirty Seconds to Mars e do Muse, mas depois recebeu tratamento no Cedars-Sinai Medical Center. “Meu pescoço está doendo, minha sobrancelha está machucada e sinto náuseas”, ela escreveu no Instagram, no dia seguinte. A fotógrafa também disse ao Variety que ela planejou submeter uma denúncia à polícia. “Senti que se não fizesse nada, ele voltaria a chutar as pessoas e não teria nenhum problema com isso por ser um músico”, acrescentou. “Isso não está certo”. Não ficou claro se Chelsea vai ou não prestar queixa.

Homme supostamente ainda exibiu um comportamento perturbador durante o show do Queens of the Stone Age. Ele cortou a própria testa (imagem na postagem do Instagram abaixo) com o que parecia ser uma faca, chamou o público de “retardados” e até chegou a gritar “Foda-se o Muse!” (trio britânico que se apresentaria como headliner no evento da rádio norte-americana). O QoTSA vem ao Brasil em 2018 para uma série de shows em estádios com o Foo Fighters.

Abaixo, veja as publicações de Chelsea Lauren no Instagram.

Thanks to Josh Homme @queensofthestoneage I now get to spend my night in the ER. Seriously, WHO DOES THAT?!? #joshhomme #queensofthestoneage #qotsa #qotsafamily #concertphotography #musicphotographer

A post shared by Chelsea Lauren (@chelsealaurenla) on Dec 9, 2017 at 11:38pm PST

Thank you everyone that has reached out with supportive messages. A small update, as I'm being flooded with questions: My neck is a sore, my eyebrow bruised and I'm a bit nauseous. The doctor released me early in the morning. Here are three images. Two of them as Josh looked at me, smiled and then kicked me. The other one is later after he cut his own face with a knife. I was in the pit in tears - and he just stared at me smiling. Assault in any form is not okay, no matter what the reasoning. Alcohol and drugs are no excuse. I was where I was allowed to be, I was not breaking any rules. I was simply trying to do my job. I hold nobody accountable for this but Josh himself. KROQ has nothing to do with this and I will always support them. The irony is someone had thrown an ice cube on to the very slick catwalk before the QOTSA set. I was afraid that one of the band members might slip and hurt themselves so, when the lights went dark, I used my arm to wipe down the runway so nobody would hurt themselves. Thank you to @variety for their immediate concern and care with this matter. As of now, nobody from QOTSA has reached out to me. #queensofthestoneage #QOTSA #JoshHomme

A post shared by Chelsea Lauren (@chelsealaurenla) on Dec 10, 2017 at 11:22am PST

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Além dos shows com o Pearl Jam, Eddie Vedder anuncia duas apresentações solo no Brasil em 2018

RollingStone - seg, 11/12/2017 - 15:42

O Pearl Jam já tinha duas apresentações marcadas no Brasil no ano que vem: uma como headliner do megafestival Lollapalooza, em São Paulo, e outra no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. O líder do grupo, Eddie Vedder, contudo, também anunciou dois shows no país, para a mesma época, o fim de março de 2018.

Quer mais shows imperdíveis em 2018? Olha só essa lista com as apresentações mais aguardadas.

As apresentações solo de Vedder acontecem em 28 e 29 de março, no Citibank Hall, na capital paulista. Assim como em 2014, última vez que o vocalista do Pearl Jam se apresentou sem a banda no Brasil, ele divide a noite com a atração de abertura, Glen Hansard, o músico irlandês que ficou conhecido após o trabalho no filme Apenas uma Vez (2006).

Os ingressos para os shows de Vedder custam entre R$ 180 e R$ 880, com opções de meia-entrada. As vendas para o público geral têm início às 10h do próximo dia 19 de dezembro, sendo que há uma pré-venda para clientes Citi e Diners, entre os dias 16 e 19. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site do Tickets For Fun.

Eddie Vedder em São Paulo
28 e 29 de março (quarta e quinta-feira), às 21h30 (show de abertura às 20h30)
Citibank Hall SP | Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro – São Paulo (SP)
Ingressos: entre R$ 180 e R$ 880, com opções de meia-entrada, pelo Tickets For Fun

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Enrique Iglesias anuncia vinda ao Brasil em 2018

RollingStone - seg, 11/12/2017 - 13:05

Nesta segunda, 11, Enrique Iglesias anunciou que virá ao Brasil em abril de 2018. O cantor trará ao país a turnê Live in Concert e fará apenas um show, em São Paulo, em 5 de abril.

A apresentação acontecerá no Espaço das Américas e os ingressos começam a ser vendidos nesta quinta-feira, 14. Os valores variam entre R$ 320 e R$ 480 (inteiras, mas há opção de meia-entrada).

Iglesias já fez parcerias com grandes nomes da música brasileira. Em 2014, lançou o disco SEX & LOVE e o hit “Bailando”, pelo qual ganhou três prêmios no Grammy Latino. O single teve a participação de Luan Santana, na versão brasileira do álbum. Recentemente, o espanhol gravou com o cantor Zé Felipe, filho do sertanejo Leonardo.

Outro sucesso recente dele foi a faixa "Duele el Corazón", que tocou ano passado na novela A Lei do Amor, da Globo.

Enrique Iglesias em São Paulo
5 de abril
Espaço das Américas - Rua Tagipuru, 79
R$ 320 a R$ 480
Informações e vendas:
myticket.com.br/enrique-iglesias

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Globo de Ouro 2018: Big Little Lies, Meryl Streep e filme de Guillermo del Toro lideram indicações; veja a lista

RollingStone - seg, 11/12/2017 - 11:42

The Post: A Guerra Secreta, Big Little Lies, Três Anúncios para um Crime e A Forma da Água estão entre as produções que receberam mais indicações para a 75ª edição do Globo de Ouro. A cerimônia acontece em 7 de janeiro, e será transmitida nos Estados Unidos pela NBC.

Na mais importante categoria de drama, The Post, de Steven Spielberg, concorre com A Forma da Água, Três Anúncios para um Crime, Me Chame pelo seu Nome e Dunkirk. Já na subcategoria de comédia ou musical, disputam Artista do Desastre, Corra!, I, Tonya, Lady Bird: É Hora de Voar e O Rei do Show.

Os dez melhores momentos do Globo de Ouro 2017

The Post angariou indicações em quase todas as categorias mais importantes, incluindo Melhor Filme de Drama, Melhor Ator e Melhor Atriz pelas performances de Tom Hanks e Meryl Streep, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh, também recebeu seis citações, com o trabalho de Frances McDormand sendo reconhecido na nomeação de Melhor Atriz em Filme de Drama.

A Forma da Água, de Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno) liderou as indicações de filmes, concorrendo a Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Atriz em Filme de Drama (Sally Hawkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Melhor Ator Coadjuvante Richard Jenkins).

Nos prêmios referentes a séries, Big Little Lies comanda as citações, concorrendo a seis categorias. Na de Melhor Série Limitada, enfrenta Feud: Bette and Joan, Fargo, The Sinner e Top of the Lake: China Girl pelo Globo de Ouro. Além disso, cinco atores da produção — Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Alexander Skarsgard, Laura Dern e Shailene Woodley — estão indicados a prêmios.

Stranger Things, da Netflix, também foi lembrada para o próximo Globo de Ouro, tendo sido indicada a Melhor Série de Drama. A subcategoria teve apenas um indicado que difere da lista de 2017, The Handmaid’s Tale. Os outros concorrentes permanecem Game of Thrones, The Crown e This Is Us.

Seth Meyers foi escolhido como o apresentador da próxima edição do Globo de Ouro. Abaixo, veja a lista com os principais indicados a prêmios.

Melhor Filme de Drama
Me Chame pelo seu Nome
The Post: A Guerra Secreta
Dunkirk
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

Melhor Filme de Comédia ou Musical
Artista do Desastre
Corra!
I, Tonya
Lady Bird: É Hora de Voar
O Rei do Show

Melhor Filme de Animação
O Poderoso Chefinho
The Breadwinner
O Touro Ferdinando
Viva: A Vida é uma Festa
Com Amor, Van Gogh

Melhor Ator em Filme de Drama
Daniel Day-Lewis, Trama Fantasma
Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.
Gary Oldman, O Destino de uma Nação
Timothée Chalamet, Me Chame pelo seu Nome
Tom Hanks, The Post: A Guerra Secreta

Melhor Atriz em Filme de Drama
Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime
Jessica Chastain, A Grande Jogada
Meryl Streep, The Post: A Guerra Secreta
Michelle Williams, All the Money in the World
Sally Hawkins, A Forma da Água

Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical
Ansel Elgort, Em Ritmo de Fuga
Daniel Kaluuya, Corra!
Hugh Jackman, O Rei do Show
James Franco, Artista do Desastre
Steve Carell, A Guerra dos Sexos

Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical
Emma Stone, A Guerra dos Sexos
Helen Mirren, The Leisure Seeker
Judi Dench, Victoria e Abdul - O Confidente da Rainha
Margot Robbie, I, Tonya
Saoirse Ronan, Lady Bird: É Hora de Voar

Melhor Ator Coadjuvante em Filme
Armie Hammer, Me Chame pelo seu Nome
Christopher Plummer, All the Money in the World
Richard Jenkins, A Forma da Água
Sam Rockwell, Três Anúncios para um Crime
Willem Dafoe, Projeto Flórida

Melhor Atriz Coadjuvante em Filme
Allison Janney, I, Tonya
Hong Chau, Pequena Grande Vida
Laurie Metcalf, Lady Bird: É Hora de Voar
Mary J. Blige, Mudbound
Octavia Spencer, A Forma da Água

Melhor Diretor de Filme
Christopher Nolan, Dunkirk
Guillermo del Toro, A Forma da Água
Martin McDonagh, Três Anúncios para um Crime
Ridley Scott, All the Money in the World
Steven Spielberg, The Post: A Guerra Secreta

Melhor Roteiro de Filme
Guillermo del Toro, A Forma da Água
Aaron Sorkin, A Grande Jogada
Greta Gerwig, Lady Bird: É Hora de Voar
Liz Hannah, Josh Singer, The Post: A Guerra Secreta
Martin McDonagh, Três Anúncios para um Crime

Melhor Trilha Sonora Original de Filme
A Forma da Água
Dunkirk
The Post: A Guerra Secreta
Trama Fantasma
Três Anúncios para um Filme

Melhor Filme Estrangeiro
Em Pedaços
First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers
Nelyubov
The Square
Uma Mulher Fantástica

Melhor Canção Original de Filme
O Touro Ferdinando, “Home”
Mudbound, “Mighty River”
Viva: A Vida é uma Festa, “Remember Me”
A Estrela de Belém, “The Star”
O Rei do Show, “This Is Me”

Melhor Série de Drama
The Crown
Game of Thrones
The Handmaid’s Tale
Stranger Things
This is Us

Melhor Série de Comédia
Black-ish
The Marvelous Mrs. Maisel
Master of None
SMILF
Will & Grace

Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical
Anthony Anderson, Black-ish
Aziz Ansari, Master of None
Kevin Bacon, I Love Dick
William H. Macy, Shameless
Eric McCormack, Will & Grace

Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical
Pamela Adlon, Better Things
Alison Brie, Glow
Issa Rae, Insecure
Rachel Brosnahan, The Marvelous Mrs. Maisel
Frankie Shaw, SMILF

Melhor Ator em Série de Drama
Sterling K. Brown, This is Us
Freddie Highmore, The Good Doctor
Bob Odenkirk, Better Call Saul
Liev Schreiber, Ray Donovan
Jason Bateman, Ozark

Melhor Atriz em Série de Drama
Caitriona Balfe, Outlander
Claire Foy, The Crown
Maggie Gyllenhaal, The Deuce
Katherine Langford, 13 Reasons Why
Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale

Melhor Ator em Série Limitada
Robert De Niro, The Wizard of Lies
Jude Law, The Young Pope
Kyle MacLachlan, Twin Peaks
Ewan McGregor, Fargo
Geoffrey Rush, Genius

Melhor Atriz em Série Limitada
Jessica Biel, The Sinner
Nicole Kidman, Big Little Lies
Jessica Lange, Feud: Bette and Joan
Susan Sarandon, Feud: Bette and Joan
Reese Witherspoon, Big Little Lies

Melhor Ator Coadjuvante em Série
Alfred Molina, Feud: Bette and Joan
Alexander Skarsgard, Big Little Lies
David Thewlis, Fargo
David Harbour, Stranger Things
Christian Slater, Mr. Robot

Melhor Atriz Coadjuvante em Série
Laura Dern, Big Little Lies
Ann Dowd, The Handmaid’s Tale
Chrissy Metz, This is Us
Michelle Pfeiffer, The Wizard of Lies
Shailene Woodley, Big Little Lies

Melhor Série Limitada ou Filme Feito para a TV
Big Little Lies
Fargo
Feud: Bette and Joan
The Sinner
Top of the Lake: China Girl

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Vocalista do Queens of The Stone Age chuta fotógrafa em show

Terra Música - seg, 11/12/2017 - 09:43
O vocalista da banda Queens of The Stone Age, Josh Homme, virou notícia durante o fim de semana ...
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Pabllo Vittar vence a Música do Ano e agradece a Anitta

Terra Música - seg, 11/12/2017 - 07:36
Pabllo Vittar levou o prêmio de Música do Ano de 2017 do Melhores do Ano, do "Domingão do ...
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Em São Paulo, Arcade Fire faz seu menor show – e também o melhor

RollingStone - dom, 10/12/2017 - 09:53

Marcado para a noite de sábado, 9, o show do Arcade Fire em São Paulo sofreu com a venda fraca de ingressos e precisou passar por uma “metamorfose”. O palco foi reposicionado, de modo a ficar de frente para a arquibancada do Sambódromo do Anhembi. Assim, a pista premium foi encolhida, e quem havia comprado ingresso para a pista comum acabou forçado a encontrar assentos na arquibancada. Fato parecido ocorreu no show do Rio de Janeiro no dia anterior, inicialmente marcado para a Jeunesse Arena e depois transferido para a Fundição Progresso.

Tais mudanças, contudo, acabaram sendo para melhor. O Arcade Fire é uma das poucas bandas da atualidade com competência suficiente para transformar um fracasso em sucesso, ou no caso do show paulistano, algo bem próximo disso. O público de cerca de 10 mil pessoas, um terço do esperado inicialmente pela organização, foi contemplado com uma apresentação mais intimista e interessante da turnê Infinite Content. Os shows divulgam o álbum Everything Now, o quinto do grupo, lançado em julho desse ano.

Foi a terceira passagem por São Paulo do sexteto multi-instrumentista, que no palco ganha mais três integrantes e, ainda, contou com participações de membros da bateria da escola de samba Acadêmicos do Tatuapé para esta performance. Às 21h30, um locutor anunciou com pompa (e em português) o que parecia ser uma luta de boxe de contornos musicais, convidando a banda a se posicionar atrás de um ringue de cordas que a separava virtualmente da plateia. Não demorou para as cordas caírem e o Arcade Fire se jogar nos braços do público – literalmente, algumas vezes.

De chapéu e todo de branco (exceto por chamativas botas vermelhas), o líder Win Butler se utiliza de seu 1,94 m para impor a presença de quem poderia comandar o show sozinho. Tal protagonismo é compartilhado com Régine Chassagne, com quem Win é casado e divide os vocais de boa parte das músicas. Régine, aliás, oferece um espetáculo à parte, vencendo o concurso informal de qual integrante do Arcade Fire experimenta mais instrumentos diferentes. Ela tocou bateria, piano, keytar, teclado, xilofone, acordeon e até um conjunto de percussão feito de garrafas de vinho cheias de água. A simpática coreografia com adereços que ela comete ao final de “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)” já se tornou uma marca registrada de turnês passadas.

Curiosamente, esta foi a menor plateia para a qual o Arcade Fire tocou na cidade. A primeira vez, fazendo abertura a Kings of Leon e The Strokes no Tim Festival de 2005, ocorreu também no Anhembi, com posicionamento de palco semelhante. Já em 2014, a banda foi um dos headliners do Lollapalooza Brasil. Agora como a atração principal para um público que estava lá só para vê-la, a banda conseguiu evocar o espírito e lembranças de 12 anos atrás, especialmente durante faixas do primeiro álbum, Funeral (2004), como “Neighborhood #1 (Tunnels)” e “Rebellion (Lies)”. Aliás, se houve um grande mérito deste show de 2017 foi permitir comparações com a época em que o Arcade Fire apenas dava lampejos de uma grandiosidade que secretamente sempre tentou alcançar.

As faixas de Everything Now representaram um terço do setlist de 24 canções, mas nem todas servem tão bem à experiência ao vivo. “Electric Blue” e “Put Your Money on Me”, apesar de bem recebidas, reduzem a marcha de modo anticlimático e poderiam dar espaço a temas mais conhecidos de discos anteriores. O mesmo quase acontece com a dobradinha “Chemistry” e “Peter Pan” (que estreou ao vivo no Rio). Descontados esses momentos, o show segue em ritmo forte e quase sempre beirando o transe, privilegiando os momentos introspectivos de The Suburbs (2010) e a pegada mais dançante de Reflektor (2013). Apenas Neon Bible (2007) não foi tão contemplado, cedendo apenas duas faixas, “No Cars Go” e “Neon Bible”. Do disco mais recente, a faixa-título e “Creature Comfort” são as que melhor funcionam ao vivo e devem seguir nos set lists de turnês futuras.

Com a distância reduzida para a plateia envolvida e bem engajada, o Arcade Fire se sentiu à vontade para executar seu espetáculo de praxe, marcado por momentos catárticos, performance atléticas dos músicos e execução técnica impecável. A interação com o público foi bem explorada, em especial quando a multidão foi convidada a acender as luzes dos celulares (nenhum isqueiro à vista), criando um memorável efeito de apelo místico. Encorajado pelo clima favorável, Win se aventurou a caminhar pela pista em várias ocasiões, chegando a alcançar a arquibancada enquanto era seguido por câmeras, seguranças e fãs. Em “We Don’t Deserve Love”, o vocalista começou cantando e tocando sozinho no meio da plateia antes de retornar ao palco.

O encerramento foi em estado épico com o hino indie “Wake Up”, que ganhou um discreto apelo carnavalesco com o retorno da bateria da Acadêmicos do Tatuapé. Ainda com o coro de milhares de vozes ecoando e o ritmo sendo marcado no baixo, a banda desceu ao gargarejo e seguiu desfilando no ritmo dos batuques, como se quisesse fazer justiça à presença naquele sambódromo. “Sempre que tocamos no Brasil ganhamos energia para três anos”, declarou Butler em certo momento. Sorte de quem esteve lá para vê-los e ouvi-los tão de perto.

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Milhares de pessoas acompanham cortejo fúnebre de Johnny Hallyday, considerado o "Elvis francês"

RollingStone - sab, 09/12/2017 - 22:03

As ruas de Paris foram tomadas neste sábado, 9, durante a cerimônia fúnebre do ídolo do rock e ator francês Johnny Hallyday, que morreu na última terça, 5, após uma batalha contra o câncer de pulmão. As informações são da agência Reuters.

Jean-Philippe Smet (nome verdadeiro de Hallyday, que nasceu em 15 de junho de 1943) anunciou em março que estava lutando contra a doença. A esposa dele, Laeticia, foi quem informou sobre a morte do artista e, em comunicado, falou que até o último momento ele "continuou enfrentando o câncer, dando lições de vida extraordinárias.

A imprensa local diz que não se via uma comoção assim com a morte de um famoso desde que aconteceu a cerimônia fúnebre de Edith Piaf, que Hallyday idolatrava.

Conhecido como o "Elvis francês", tamanha importância que tinha no país, Hallyday estava com 74 anos e morreu em casa, em Marnes-la-Coquette, a Oeste de Paris, onde ficou internado por seis dias, antes de morrer. A carreira dele durou mais de 5 décadas, durante as quais lançou inúmeros sucessos. Fenômeno de massa, ele era o pai do rock e do twist franceses e ganhou 18 discos de platina.

O primeiro trabalho saiu em 1960, quando lançou o disco Hello Johnny. Ao longo da carreira, ele alcançou muita popularidade gravando versões francesas de faixas em inglês, como "House of the Rising Sun" ("Le Pénitencier") e "Let's Twist Again" ("Viens Danser le Twist"). Ouça abaixo.

Neste sábado, 9, foi realizado o funeral dele em Paris. Uma multidão de milhares de pessoas foi às ruas de Paris acompanhar o cortejo, que passou pela famosa avenida Champs Elysées. O presidente Emmanuel Macron homenageou o cantor na Igreja La Madeleine. Também participaram da cerimônia seus antecessores François Hollande e Nicolas Sarkozy, além de vários ministros. Os atores Jean Dujardin, Marion Cotillard, Jean Reno e Carole Bouquet foram algumas das celebridades que estiveram lá para dar um último adeus, enquanto o público gritava o nome do ídolo.

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El Mencho: rastro de morte deixado pelo chefe do cartel mais violento da atualidade não para de crescer

RollingStone - sab, 09/12/2017 - 07:11

Em uma noite quente e úmida de agosto de 2016, dois ricos irmãos mexicanos saíram para curtir a noite na cidade de Puerto Vallarta. Ivan, de 35 anos, e Jesus Alfredo Guzmán, de 29, estavam passando uma semana de férias na cidade. O domingo era a véspera do 36º aniversário de Ivan e eles reservaram uma mesa em um restaurante chique chamado La Leche para comemorar. Seis homens e nove mulheres se juntaram a eles – jovens, atraentes e bem vestidos, dirigindo Range Rovers e Escalades –, sentaram a uma mesa comprida à luz de velas no meio de uma sala toda branca, pediram champanhe e cantaram “Parabéns a Você”. Três horas depois, a festa estava terminando quando, pouco depois da meia-noite, meia dúzia de homens armados com rifles entraram e os renderam.

Um deles forçou Ivan a se ajoelhar e deu um chute forte em suas costelas, fazendo-o deitar no chão. Jesus Alfredo também foi rendido sob a mira da arma. Os irmãos e os outros homens foram, então, levados a duas SUVs e escoltados noite adentro, enquanto as mulheres foram deixadas ilesas. Toda a operação durou menos de dois minutos – o dono do restaurante mais tarde a descreveu como “violenta, mas muito limpa”. E, assim, sem nenhum tiro disparado, os dois filhos mais novos do notório chefe do cartel mexicano de Sinaloa, Joaquín Guzmán – mais conhecido como El Chapo –, foram sequestrados.

Os filhos de Chapo cometeram o erro de sair à rua nos domínios do mais novo e perigoso rival do Sinaloa: Rubén Oseguera Cervantes, ou El Mencho, chefe de um novo e violento cartel. Ex-policial de Jalisco que cumpriu três anos de prisão nos Estados Unidos por vender heroína, Mencho lidera o que muitos especialistas dizem ser o cartel de drogas mais mortal, de crescimento mais rápido e, segundo alguns, mais rico – o Cartel Jalisco Nueva Generación, ou CJNG. Embora seja pouco conhecido fora do México, Mencho foi indiciado em um tribunal federal de Washington, acusado de tráfico de drogas, corrupção e homicídio e, atualmente, a recompensa por sua captura é de US$ 5 milhões. Exceto por, talvez, Rafael Caro Quintero – o idoso senhor das drogas ainda procurado pela tortura e morte de um agente do DEA, departamento antidrogas norte-americano, em 1985 –, ele é provavelmente o principal alvo do país em cartéis. “Antes, era o Chapo. Agora, é Mencho”, diz uma fonte do DEA.

O CJNG existe há apenas meia década, mas, com sua ascensão espantosamente rápida, já conseguiu o que Sinaloa demorou uma geração para ter. O cartel estabeleceu rotas de tráfico em dezenas de países em diferentes continentes e controla um território que abrange metade do México, inclusive ao longo das duas faixas de litoral e das duas fronteiras. “[O CJNG] aumentou suas operações como nenhuma outra organização criminosa até hoje”, afirmou um relatório confidencial da inteligência mexicana obtido pelo jornal El Universal. Em maio, o procurador-geral do México, Raúl Cervantes, declarou que o cartel era o mais onipresente no país.

A especialidade do CJNG é metanfetamina, que tem margens de lucro mais altas do que cocaína e heroína. Ao focar em lucrativos mercados estrangeiros, como Europa e Ásia, o cartel simultaneamente manteve a discrição nos Estados Unidos e construiu uma imensa reserva de guerra, que alguns especialistas estimam valer US$ 20 bilhões. “Eles têm muito mais dinheiro que o Sinaloa”, diz um ex-agente do DEA que passou anos caçando o cartel no México (e pediu anonimato por questões de segurança). Segundo outro investigador, “Mencho tem sido muito, muito agressivo – e até agora, infelizmente, isso compensou”.

Ele exibe uma selvageria extrema até para os padrões do narcotráfico. Para o admitidamente brutal Chapo, matar era uma parte necessária dos negócios. Para Mencho, parece mais sadismo e uma forma de espetáculo público. Houve massacres, como o dos 35 corpos amarrados e torturados despejados nas ruas de Veracruz durante a hora do rush de fim de dia em 2011. Dois anos depois, operadores do CJNG estupraram, mataram e incendiaram o corpo de uma menina de 10 anos que (erroneamente) acreditavam ser a filha de um rival. Em 2015, assassinos da organização executaram um homem e seu filho, ainda no ensino fundamental, detonando bananas de dinamite presas com fita adesiva a eles, rindo enquanto filmavam a cena pavorosa com os celulares. “Isso é coisa do Estado Islâmico”, diz um agente do DEA que investigou o cartel. “O jeito como matam as pessoas, o número de mortos – é sem precedentes até no México.”

A comparação com o Estado Islâmico é instrutiva por outro motivo. Quando Chapo estava no auge do poder após as sangrentas guerras dos cartéis mexicanos há uma década, o país teve um período de paz relativa – que o romancista e cronista da guerra das drogas Don Winslow batizou de “Pax Sinaloa”. No entanto, da mesma forma como o EI cresceu do vácuo no Iraque pós-Saddam Hussein, uma consequência acidental da prisão de Chapo pode ter sido abrir a porta para alguém ainda pior.

Existem poucas fotos de Mencho e até a descrição feita dele pelo Departamento de Estado é comicamente vaga: teria 51 anos, 1,72 m, 75 kg, cabelo e olhos castanhos. Contadores de histórias sobre o narcotráfico narram o suposto amor de Mencho por motos e rinhas de galo de US$ 100 mil – um dos apelidos dele é “El Señor de los Gallos” ou “O Senhor dos Galos” –, mas, fora isso, o homem é um enigma. “Depois de mais de 25 anos trabalhando no México, você encontra pessoas que conheceram o Chapo e falam sobre ele”, diz o ex-agente do DEA. “Só que, com o Mencho, você não ouve isso. Ele é meio que um fantasma.”

De certa forma, sequestrar os filhos de El Chapo serviu como um evento para a revelação de Mencho. “O plano era matá-los”, afirma uma fonte do DEA. “[O CJNG] ia sequestrá-los, conseguir as confissões que queria e dar um fim neles.” Entretanto, no último minuto, Chapo – ainda preso no México à época – conseguiu negociar um acordo. Em troca de “US$ 2 milhões e muita droga”, segundo a fonte do DEA, os dois rapazes foram libertados sem ferimentos.

O pagamento do resgate foi bastante cerimonial. “Mencho não precisa do dinheiro”, afirma a fonte. “Estava mandando uma mensagem: ‘Seu pai está trancafiado agora. Não achem que são intocáveis’.” De Cancún à Califórnia, o aviso foi claro. Mencho estava tomando o trono.

Jalisco é, de muitas formas, o típico estado mexicano. A música mariachi, a tequila e os sombreros nasceram ali. O lema do lugar é: “Jalisco é o México”. Durante décadas, a região foi uma zona neutra para os cartéis: muitos narcotraficantes ricos tinham casas na capital, Guadalajara – uma cidade colonial apelidada de “Pérola do Oeste” –, e cidades litorâneas como Puerto Vallarta eram o lugar preferido para férias não apenas dos senhores das drogas, mas também de políticos mexicanos.

No entanto, Jalisco também é um território tremendamente importante para o comércio de drogas. Como a segunda maior cidade do México e grande centro financeiro e de transportes, Guadalajara oferece muitas oportunidades para lavagem de dinheiro e recrutamento. Jalisco também fica perto dos dois maiores portos marítimos do país, Manzanillo e Lázaro Cárdenas – o que é útil para embarcar cargas com várias toneladas de drogas. “Se eu tivesse de escolher um fator principal [que permitiu a ascensão de Mencho]”, diz o agente especial Kyle Mori, da divisão de campo do DEA em Los Angeles, “é que ele teve uma tremenda vantagem geográfica”.

Em um relatório diplomático de 2008 (“Cidade Química: Guadalajara, Jalisco e o Comércio de Metanfetamina”), um oficial norte-americano detalhou como Jalisco tinha se tornado o centro mexicano das drogas sintéticas. Diferentemente da heroína ou da maconha, a metanfetamina não exige grandes terrenos nem clima bom – só áreas isoladas para construir laboratórios. Guadalajara também tinha uma próspera indústria farmacêutica, com químicos jovens cheios de know-how técnico. Além disso, havia os portos do Pacífico, que permitiram ao CJNG trazer clandestinamente grandes quantidades de bases químicas da Índia e da China e contrabandear o produto final. “Eles foram um dos primeiros a adotar de maneira massiva a metanfetamina”, afirma Scott Stewart, analista do Stratfor, serviço de inteligência privado. “Também entendiam a economia: diferentemente da cocaína, que tinham de comprar dos colombianos, com a metanfetamina eles ficavam com a maior parte dos lucros.”

Só que, segundo um analista do DEA, “o problema com o pessoal de metanfetamina é que eles são desequilibrados”. Comparados aos cartéis mais estabelecidos, Mencho e o CJNG eram “caipiras, gente tacanha que ganhou reputação esmagando pseudoefedrina”, diz o analista. “Eles não precisavam fazer social com fornecedores bolivianos ou voar até a América do Sul para fechar negociações internacionais. Não são sofisticados. São muito brutos.”

No entanto, enquanto Mencho rapidamente construiu seus negócios, as operações ficaram mais complexas. Ele investiu pesadamente em submarinos, que usou para trazer narcóticos da América do Sul (segundo o ex-agente do DEA, até contratou engenheiros navais russos para ajudar a projetar os submarinos), enquanto evitava investigações dos Estados Unidos ao se concentrar em mercados como a Austrália, onde um 1 kg de cocaína pode render o quádruplo do preço em solo norte-americano. Mencho também empregou técnicas mais mundanas, como usar modelos para contrabandear drogas. De acordo com o ex-agente de campo, traficantes do CJNG posavam de fotógrafos de moda, falsificando até as credenciais, e voavam para o México com mulheres da Colômbia e da Venezuela. As autoridades ficavam tão distraídas com elas que as drogas entravam sem problemas.

Paralelamente, o criminoso impulsionava seu poder usando corrupção e intimidação. Membros capturados do CJNG testemunharam sobre como ele odeia desobediência e gosta de fazer suas vítimas implorarem perdão antes de matá-las. “É um homem que executa uma família inteira baseado em pouco mais do que um boato”, afirma uma fonte. “Não tem consideração nenhuma pela vida humana.” Segundo uma fonte que conheceu Mencho, ele é um homem de negócios frio que não bebe, não tem amantes, como outros líderes de cartel, e não confia em quase ninguém.

O ex-agente de campo diz ter ouvido várias ligações grampeadas de Mencho falando com funcionários do cartel. “Esses homens também são assassinos e estavam com medo”, afirma. “Ele ficava dando ordens. Acho que não ouvi nenhuma ligação em que estivesse calmo, mas não estava de cabeça quente. A gritaria era muito controlada. Ele sabia o que estava fazendo.”

A ferocidade de Mencho inspirou uma devoção voraz de suas tropas. “Uma vez, houve um grande tiroteio em uma feira”, lembra o ex-agente. “Alguém jogou uma granada e alguns rapazes [do CJNG] se jogaram sobre ela para evitar a morte de Mencho.” Segundo o agente, a impiedade de Mencho também dificultou o recrutamento de informantes contra ele. Em determinada ocasião, um homem chegou perto de ajudar a polícia – tinha um endereço do traficante –, mas quando o cartel percebeu que ele estava espionando, o sequestrou junto a seu filho adolescente. “Acharam o corpo do pai um mês depois”, conta o agente. “Ele tinha sido torturado. O garoto nunca foi encontrado.”

Mencho ainda comprou policiais. O governador de Jalisco, Aristóteles Sandoval, disse que, quando assumiu o cargo, a “maior vulnerabilidade [do estado] era a infiltração do crime organizado” em suas forças policiais. Segundo uma reportagem da agência Reuters, a certa altura o CJNG tinha mais de metade da polícia de Jalisco na folha de pagamento – alguns ganhavam mais que o quíntuplo do salário que recebiam do governo. E Mencho aterrorizava os policiais que não conseguia comprar.
Segundo o ex-agente de campo do DEA, o CJNG inspirou um nível extraordinário de medo na polícia mexicana, muito maior do que o inspirado pela maioria dos cartéis.

Uma ligação recentemente divulgada mostra a informalidade com que Mencho faz ameaças. Na gravação, ele pode ser ouvido falando com um comandante de polícia local (“Delta Um”) cujos subordinados aparentemente estavam sendo zelosos demais para o gosto de Mencho. Uma transcrição resumida:

Mencho: Delta Um?
Comandante: Sim, quem fala?
M: Escuta, filho da puta. Aqui é o Mencho. Diga para seus homens não se meterem ou vou te foder, sério. Mato até a porra dos seus cachorros, filho da puta.
C: Sim, senhor. Vou falar para recuarem –
M: Não desliga na minha cara, filho da puta. Sei onde você está – acabou de sair de Chapala [bairro rico de Guadalajara].
C: Não, senhor, não estou desligando. Vou falar para recuarem –
M: Achei que você tivesse dito que nos daríamos bem, filho da puta. É melhor você embarcar nessa ou será o primeiro a cair fora, entendeu?
C: Não, senhor, não precisa fazer isso. Não precisa fazer isso.
M: Se quiser amizade, sou um ótimo amigo, mas, se não quiser, vá se foder.
C: Senhor, o senhor me conhece. Sabe que sou seu amigo. Vou fazer algumas ligações agora mesmo. Eu te retorno neste número –
M: Não, não, não. Não ligue para este número. Eu ligo. E, se desligar esta linha, vou interpretar isso como [um sinal] negativo.
C: Sim, senhor. O senhor me conhece, senhor. Sabe que há respeito.
M: Ok, então. Desculpe os palavrões.

Duas horas ao sul de Puerto Vallarta, em um trecho cintilante do Pacífico chamado de Costalegre (“Costa Alegre”), está o resort cinco estrelas Hotelito Desconocido (“Hotelzinho Desconhecido”, em português). Formado por 20 bangalôs com telhado de palha abrigados em meio a um paraíso de aves protegido pela Unesco, o estabelecimento já apareceu no The Wall Street Journal e cultivava um ar de luxo e discrição: estrelas de Hollywood, como Sandra Bullock, Julia Roberts e Blake Lively, já teriam passado por lá.

Infelizmente para os proprietários do Hotelito, em agosto de 2015 ele foi fechado pelo governo mexicano depois que oficiais norte-americanos declararam que o estabelecimento servia de fachada para o cartel. Segundo investigadores dos Estados Unidos, a propriedade tinha elos profundos com o CJNG e sua organização-irmã, Los Cuinis – um grupo de tráfico afiliado liderado pelo cunhado de Mencho, Valencia. Os cartéis teriam usado o hotel para lavar dinheiro e realizar reuniões secretas; o estabelecimento fica perto de Tomatlán, a mesma cidade onde Mencho serviu como policial. A dona do Hotelito – cunhada de Mencho – foi presa no Uruguai com o marido, depois que o Panama Papers revelou que os dois tinham milhões em patrimônio ilegal.

A Agência de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos Estados Unidos, ou Ofac, foi responsável pelo desmascaramento do Hotelito. “Nosso trabalho é semelhante ao de qualquer agente da lei – só que não prendemos as pessoas”, diz um investigador do Ofac. Em vez disso, quando o órgão suspeita de alguém apoiando um cartel, pode “indicar” essa pessoa sob a lei de designação de chefes do narcotráfico Kingpin Act, congelando patrimônio e, essencialmente, bloqueando o suspeito no sistema financeiro. O Ofac acrescentou Mencho à sua lista negra financeira em 2015 e, em uma série de ações desde então, expôs uma ampla teia de empresas relacionadas ao CJNG, incluindo uma companhia agrícola, uma empresa de publicidade, um negócio de aluguel de imóveis para temporada, uma marca de tequila e uma cadeia de restaurantes japoneses.

“A ideia é espremer Mencho por meio de seus parceiros de negócio”, diz o investigador. “Ao colocar coisas na lista, meio que jogamos um holofote e dizemos: ‘O dono dessa empresa na verdade é um laranja para El Chapo ou El Mencho e vem lavando dinheiro há 20 anos – então você provavelmente não deveria estar fazendo negócio com ele’.”

Enquanto o Ofac fazia pressão financeira sobre Mencho, agentes da lei mexicanos também estavam aprimorando a caçada. Várias chances já haviam sido perdidas: em março de 2012, o exército do país (conhecido pela sigla Sedena) invadiu um prédio de apartamentos em Guadalajara, onde acreditava que Mencho estava se escondendo. Houve um tiroteio, mas o traficante conseguiu fugir. Alguns meses depois, a polícia federal mexicana montou outra operação, atacando um complexo rural do CJNG com cinco helicópteros Black Hawk; na troca de tiros que se seguiu, seis membros do CJNG foram mortos. Houve relatos falsos de que Mencho tinha sido capturado pelo governo. Segundo uma fonte do DEA, “eles o perderam em questão de minutos”.

Na primavera seguinte, o CJNG provocou as autoridades com uma coletiva de imprensa falsa veiculada no YouTube, com 50 mercenários usando touca ninja e colete à prova de bala diante de uma imensa faixa do CJNG. No final, um porta-voz entregou uma mensagem do “el señor”, o Mencho: “Podem latir, cães”, disse em espanhol, “mas enquanto latem saibam que estou avançando”.

Então, Mencho declarou guerra. Em 19 de março de 2015, um destacamento da polícia federal estava de tocaia em uma cidade de Jalisco chamada Ocotlán quando atiradores do CJNG realizaram uma emboscada, matando cinco policiais. Duas semanas depois, em Guadalajara, o cartel tentou assassinar o comissário de segurança pública do estado, Alejandro Solorio, atingindo a picape blindada dele com mais de 200 balas. “Quando tentamos revidar, jogaram duas granadas em nós”, Solorio contou mais tarde.

Na semana após a Páscoa, houve o grande ataque. Um comboio da polícia de elite Fuerza Única estava indo de Puerto Vallarta para Guadalajara quando – por volta das 15h, em uma estrada de montanha sinuosa e com pista dupla – encontrou um carro incendiado bloqueando a passagem. O comboio parou e foi aí que o CJNG atacou, bombardeando os policiais com metralhadoras e lançadores de granadas. Quinze oficiais foram mortos no banho de sangue – foi o dia mais mortal das forças policiais mexicanas em uma década. Ninguém do CJNG morreu.

Algumas semanas depois, o Exército mexicano revidou com a Operação Jalisco. Na escuridão antes do amanhecer da sexta-feira, 1º de maio, um destacamento de tropas de paraquedistas de elite do Sedena e da polícia federal – transportados por dois helicópteros EC-725 “Super Cougar” – pousou em um rancho no sudoeste de Jalisco onde se acreditava que Mencho estivesse escondido, mas, novamente, o cartel estava aguardando. Enquanto os primeiros soldados desceram de um helicóptero, homens armados em caminhonetes blindadas e usando uniformes camuflados com os dizeres “Alto Comando das Forças Especiais do CJNG” abriram fogo com fuzis automáticos e lançadores de granadas fabricados na Rússia. Um dos rotores do helicóptero foi atingido e ele caiu em chamas. Oito soldados e um policial foram mortos. O único sobrevivente, um oficial de inteligência chamado Iván Morales, sofreu queimaduras em mais de 70% do corpo.

O ataque representou um marco mortal: a primeira vez em que uma aeronave militar mexicana foi destruída por um cartel. Nas horas seguintes, Mencho duplicou o terror, incendiando dezenas de caminhões, ônibus, postos de gasolina e bancos em todo o território de Jalisco, bloqueando o trânsito e deixando o estado de joelhos. O consulado dos Estados Unidos alertou seus cidadãos para procurarem abrigo onde estavam; o governo mexicano teve de enviar 10 mil homens para a segurança do estado. Segundo o ex-agente do DEA, o caos foi elaborado para ajudar Mencho a fugir – uma tática que o cartel supostamente aprendeu com comandos israelenses. “Ouvi falar de encontros de israelenses com eles – atiradores e tal”, diz. “É um uso técnico de força que nunca foi visto em cartéis mexicanos.”

De todas as plazas de drogas do México, provavelmente a mais valiosa é Tijuana. Quase todo o tráfico para o sul da Califórnia passa pela cidade e dali é uma viagem fácil pelo oeste dos Estados Unidos até Los Angeles, São Francisco, Las Vegas, Phoenix, Denver, Chicago ou mesmo até o Canadá. Cerca de US$ 225 milhões em narcóticos são apreendidos no corredor do DEA em São Diego todo ano – sem dúvida apenas uma fração do que passa. Ter o controle de Tijuana significa ter nas mãos um negócio bilionário.

Até poucos anos atrás, a cidade estava firmemente sob as garras do Cartel de Sinaloa, mas por volta de 2013 o CJNG começou a abrir passagem. Segundo a jornalista Adela Navarro, o discurso de recrutamento do grupo era simples: “Junte-se a nós ou te mataremos”. Um tenente do cartel que foi capturado e havia lutado contra Mencho descreveu uma estratégia parecida: “Todos os que vendiam drogas foram sequestrados ou mortos”, disse. “Se você estivesse trabalhando, começava a trabalhar para ele – caso contrário, já era” (ele ainda acrescentou: “É uma porra de uma guerra sem fim e sem objetivo”).

Adela, uma bela mulher que não leva desaforo para casa, é editora do ZETA, premiado jornal investigativo de Tijuana. Ela diz que, em 2015, o Sinaloa e o CJNG tinham chegado a uma estranha paz na cidade – dividindo áreas, rotas de tráfico e até mesmo oficiais corruptos, então não estavam se matando (“Basicamente, fizeram um acordo comercial”, afirma Kyle Mori). Tijuana era um microcosmo do país: naquele verão, Tomas Zerón, chefe da Agência de Investigação Criminal do México (equivalente local ao FBI), declarou: “Só restam dois cartéis no México: Sinaloa e CJNG”.

Mencho seguiu avançando. Há sinais de que ele está penetrando ainda mais em outros territórios do Sinaloa, incluindo Baja California, Sonora e até o próprio estado natal de Chapo, Sinaloa. No entanto, também há indícios de que o cerco esteja ficando mais apertado. Em dezembro de 2015, um irmão de Mencho, o suposto chefe financeiro do CJNG Antonio “Tony Montana” Oseguera, foi preso em Jalisco. O segundo homem no comando do CJNG – o próprio filho de Mencho, Rubén Oseguera Jr., conhecido como “Menchito” – também foi preso e, em dezembro passado, indiciado em um tribunal federal dos Estados Unidos. Vários chefões de plazas do CJNG também foram capturados ou mortos. Em março, o México aceitou extraditar Valencia, o cunhado de Mencho, para os Estados Unidos sob a mesma acusação feita a Mencho.

Se Mencho for capturado amanhã, os Estados Unidos provavelmente pedirão sua extradição, como fizeram com Chapo. A essa altura, caberia ao México aceitar. Mori, por exemplo, espera que aceite: “Há esta concepção errônea entre agentes do DEA de ‘tirei US$ 3 milhões desse cara, é um puta bom negócio’”, conta. “Acredite, não é. Para esses criminosos, esse é o custo desse tipo de operação. A única coisa com a qual eles se importam – a única – é a extradição para os Estados Unidos.”

Só que o ex-agente de campo do DEA duvida que chegará a esse ponto. “O Mencho é tão assassino”, diz, “que eu ficaria surpreso se o capturassem vivo”.

Enquanto isso, segundo Mori, “estamos basicamente só procurando por ele”. Qualquer operação para pegar Mencho é de responsabilidade do México – os Estados Unidos “só podem aconselhar e dar assistência e espero trabalhar com eles em uma operação bilateral, mas não é preciso dizer que, a esta altura, não tivemos muitas oportunidades boas para prendê-lo”.

Ele suspeita que Mencho esteja se escondendo em alguma área montanhosa, provavelmente em Jalisco ou Michoacán. “Acho que ele se sente seguro naquele terreno que conhece bem”, afirma. “Acho que é extremamente seletivo quanto a com quem conversa e quem encontra. Acho que se movimenta muito e que tem dinheiro e homens quase ilimitados. E quando você tem essas coisas pode aguentar por muito tempo.”

Consequência Brutal
Prisão de El Chapo abriu espaço para a selvageria de El Mencho

Desde a recaptura do traficante El Chapo em janeiro de 2016, a taxa de homicídios em Tijuana explodiu. No ano passado, aumentou 36%; os 910 assassinatos na cidade foram o recorde de todos os tempos (para comparar, a cidade de Chicago, nos Estados Unidos, teve 762 homicídios em 2016 e tem o dobro da população). Rosario Mosso, editora do jornal Zeta responsável por acompanhar os assassinatos em Tijuana, lembra que o acúmulo de vítimas era mais rápido do que ela conseguia contar. “Uma depois da outra”, diz. “Corpos pendurados, cabeças cortadas.” Em março deste ano, as mortes atingiram um novo pico mensal – 121 pessoas. Se seguir nesse ritmo, Tijuana terá mais de 1.300 homicídios em 2017 – mais um ano recorde.

Adela Navarro, também editora do Zeta, diz que a situação não é tão ruim quanto foi em 2008, quando Sinaloa estava enfrentando o cartel Arellano-Félix e civis eram sequestrados e mortos à luz do dia. Desta vez, pelo menos até o momento, os assassinatos se concentraram na população criminosa de Tijuana. “Se você olhar para quem matam, são traficantes de drogas”, afirma Adela, “mas depois que você elimina seus inimigos, quem vem em seguida? Bom, a sociedade vem em seguida.”

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Roger Waters: “Finalmente vários povos acordaram e estão contestando aqueles que os dominaram por tanto tempo”

RollingStone - sex, 08/12/2017 - 19:23

Roger Waters está no Brasil. Calma, não é para tocar aqui. Não ainda. Os shows dele que foram anunciados recentemente acontecerão só em outubro de 2018, quando o ex-líder do Pink Floyd fará sete apresentações no país, passando por São Paulo (9/10), Brasília (13/10), Salvador (17/10), Belo Horizonte (21/10), Rio de Janeiro (24/10), Curitiba (27/10) e Porto Alegre (30/10). Na América Latina, ele também passará por Argentina, Uruguai, Chile e Peru. Clique aqui para saber os preços dos ingressos.

Mas então, o que o músico veio fazer no país? Pegar uma cor. Ele veio passar as férias em Trancoso, na Bahia, e aproveitou o tempo livre que teria em São Paulo, antes de voltar para casa, para falar com a imprensa sobre a turnê US + Them, mesmo que ainda falte quase um ano para ela desembarcar por aqui. Nesses shows, ele dá uma geral em discos clássicos do Pink Floyd, como The Dark Side of The Moon, The Wall e Animals, mas também abre espaço para material de Is This The Life We Really Want?, trabalho que lançou há alguns meses. Apesar do clima de férias (ou talvez exatamente por isso), curiosamente, Waters falou mais sobre visões política do que sobre o show.

Sentar à mesa na companhia de Rogers Waters é uma experiência interessante. Ele é prolixo, dá respostas longas, que são “interpretadas” com sotaques britânicos engraçados e muitos gestos de mão. Quem lê as virulentas entrevistas que ele concede, muitas vezes virulentas, pode ficar com a ideia que o músico é antipático, mas ao vivo ele não passa esta impressão. Waters pode não ser uma pessoa particularmente calorosa, mas ele se mostra um cara combativo e quer “vender” o peixe quando fala de política. E é alguém que olha nos seus olhos fixamente para saber se você está concordo ou não com ele.

O artista prega a união das pessoas, mas diz que para isso acontecer é preciso mais ação do que palavras. Fica claro que ele adora uma agitação política e ama quando suas canções são utilizadas em protestos. Quando soube que as performances dele irão coincidir com as próximas eleições presidenciais no Brasil, e que a atmosfera será certamente pesada, ele apenas esfregou as mãos e disse “Uau!”. Mas ficou a impressão de que não está particularmente por dentro do que está acontecendo na cena política brasileira.

Para Waters, o nome da turnê, que traduzido livremente significa “nós mais eles”, marca um momento de união entre as pessoas. Com este mote, ele reflete sobre a condição humana. “O homo sapiens não está muito tempo neste planeta. O ser humano surgiu na África. Então, somos todos africanos. Não entendo a razão de existir tantas divisões raciais”, ele medita. Mas o músico acredita que aos poucos aconteceu uma conscientização. “Com o fim da Segunda Guerra Mundial, muitas coisas começam a acontecer, como a criação da ONU [Organização das Nações Unidas]. Foram mais de 2 mil anos de colonização. Finalmente vários povos acordaram para isso e estão contestando aqueles que os dominaram por tanto tempo. Em 2007, estive em Lima, no Peru, e conversei muito com as pessoas que circulavam nas ruas, como os motoristas de táxi. Falei também com as mulheres que prepararam minhas refeições. Notei que havia ressentimento por causa da colonização espanhola e do jeito que eles trataram os nativos por séculos. Voltarei lá no ano que e quero ver o que mudou – e se mudou”.

Ele diz que cada show será adaptado para os países por onde irá passar. Contou que a letra de “Money”, de The Dark Side of The Moon, foi mudada para refletir a situação mundial. Dinheiro – a falta dele ou excesso dele – é a chave da desgraça mundial, ele fala. “Sem dúvida, a corrupção é algo muito ruim e as pessoas se deixam levar pelas tentações facilmente.” Mas Waters acha que a falta de solidariedade também é a força motriz para desigualdade. “Em alguns lugares do mundo, existem modelos de sociedade que funcionam, com na Escandinávia, com vários serviços públicos gratuitos. Ainda é pouco, mas é um começo.”

Como é notório, o músico é um dos mais ferrenhos opositores do presidente norte-americano Donald Trump e não deixou de atacá-lo ferozmente. “Se não impedirmos, este homem certamente vai destruir o planeta de uma forma ou de outra. Ele irá desencadear alguma guerra nuclear. Ou, então, deixará que a terra sofra algum tido de holocausto climático.”

Segundo Waters, Trump está fazendo com que os Estados Unidos regridam no campo de cultura e da educação. “Ele e o vice-presidente, Mike Pence, estão incentivando o fundamentalismo cristão. É um plano que ele sempre tiveram para que a extrema direita tome conta de vez do processo político da América.” Ele também não deixou de comentar rapidamente a decisão de Trump de referendar Jerusalém como a futura capital de Israel: “Com isto, ele assinou a sentença de morte para milhões de pessoas, especialmente os muçulmanos”.

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Tomlinson perde o controle com bebidas em clipe 'Miss You'

Terra Música - sex, 08/12/2017 - 17:22
Se você gostou de "Miss You", novo single do Louis Tomlinson, as notícias são boas. Afinal, a ...
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Ozzy Osbourne, Radiohead, Harry Styles: os shows internacionais mais aguardados de 2018

RollingStone - sex, 08/12/2017 - 16:50

Dois mil e dezoito já está aí e é melhor você preparar o bolso. Só para o primeiro semestre, já são muitos os nomes internacionais confirmados para subirem aos palcos brasileiros. Entre eles: Foo Fighters, Radiohead, Harry Styles, Pearl Jam, Katy Perry, além do megafestival Lollapalooza (que tem Red Hot Chili Peppers, The Killers, Chance the Rapper, Liam Gallagher) e e muitos outros. Veja algumas das apresentações mais aguardadas a seguir.

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Exclusivo: Veja Stepan Nercessian como Chacrinha nos bastidores de Chacrinha: O Velho Guerreiro

RollingStone - sex, 08/12/2017 - 16:38

Chacrinha: O Velho Guerreiro, a cinebiografia do lendário apresentador José Abelardo Barbosa começou a ser rodada no Rio de Janeiro no início do último mês de novembro. E a Rolling Stone Brasil teve acesso a uma imagem exclusiva do protagonista Stepan Nercessian interagindo com o diretor Andrucha Waddington no set de filmagens. Veja abaixo.

O elenco da obra ainda traz Eduardo Sterblitch como o jovem Abelardo, Karen Junqueira como Rita Cadillac e Gianni Albertoni como Elke Maravilha. Thelmo Fernandes, Carla Ribas, Gustavo Machado, Rodrigo Pandolfo, Pablo Sanábio, Laila Garin, Antonio Grassi, Amanda Grimaldi e Marcelo Serrado são outros nomes que integram a produção.

O longa remonta a trajetória do controverso e polêmico apresentador no ano que marcaria o centenário dele, que nasceu em 30 de setembro de 1917. Chacrinha: O Velho Guerreiro deve chegar aos cinemas em 2018.

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Integrantes remanescentes do Nirvana se reúnem durante show do Foo Fighters

RollingStone - sex, 08/12/2017 - 15:00

Em um show recente, o Foo Fighters orquestrou uma reunião surpresa dos integrantes remanescentes do Nirvana. O vocalista e baterista Dave Grohl convidou Krist Novoselic, baixista e cofundador da banda ícone do grunge, para se juntar ao FF no palco da arena norte-americana Matthew Knight, em Eugene, Oregon.

Em um registro visual do momento, Grohl abraça o ex-colega de banda antes de apresentar a música que tocariam. “Eu tinha essa canção e achava que ela talvez pudesse ser legal”, disse. Então, começou a contar a história de como ele e Novoselic estavam em um estúdio “sem nada para fazer” quando decidiram gravá-la juntos. “Ela acabou entrando no primeiro disco do Foo Fighters.”

O show do Nirvana está entre os melhores do MTV Unplugged; veja a lista completa

Então a dupla apresentou “Big Me”, grande sucesso da banda. Pat Smear, guitarrista do Foo Fighters que participou de uma turnê do Nirvana em 1993, também se juntou à performance.

Ainda que em ocasiões raras, o trio se reuniu para algumas apresentações nos últimos anos. Entre elas está o show que aconteceu durante a introdução do Nirvana no Hall da Fama do Rock, em 2014. A performance contou com quatro músicas e participações especiais de Joan Jett, Lorde, Kim Gordon e St. Vincent.

Assista a Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear tocarem “Big Me”, do Foo Fighters, abaixo.

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Eminem diz que “às vezes, dá vergonha de ser branco” no single “Untouchable”

RollingStone - sex, 08/12/2017 - 13:13

Eminem trata do privilégio branco e discriminação racial na explosiva nova música dele, “Untouchable”, faixa do próximo disco do rapper, Revival. A música tem produção assinada por Mr. Porter e é construída em torno de um sample de “Earache My Eye”, da dupla humorística Cheech & Chong.

Lembre como foi o show do Eminem no Lollapalooza Brasil de 2016

“Parece que estamos presos num tempo deformado/ Conforme eu chuto esses fatos e obtenho reações distintas/ Conforme essas batidas rolam/ Parece que estamos de volta aos anos 1960/ Em que ser negro é arriscado, porque isso continua acontecendo”, canta Eminem. “Durante a história, afro-americanos foram tratados como merda/ E eu admito que houve ocasiões/ Em que foi vergonhoso ser um garoto branco.”

Ouça a música abaixo.

No terceiro verso de “Untouchable”, depois do energético sample do Cheech & Chong, Eminem entrega uma narrativa extensa da perspectiva da comunidade negra – “Por que existem bairros de negros?/ Porque os EUA nos segregou/ Nos designou para uma área/ Nos separou/ Nos colocou na seção 8” – e critica os policiais ruins que “fodem com os bons policiais.”

“Continue marchando, até chegarmos no congresso/ Mas eles vão dizer que você está amarrado a uma posição irracional/ Porque você tenta difamar a bandeira/ Mas alguém precisa ser o sacrificado”, segue rimando Eminem. “Então eles chamam isso de birra de Kapernick/ Se você não se levantar para o hino nacional.”

Além de “Untouchable”, Eminem também revelou a capa do disco Revival, que traz o rapper com a cabeça apoiada nas mãos e atrás de bandeira dos Estados Unidos. Revival, com lançamento marcado para 15 de dezembro, traz participações de Ed Sheeran, Pink e Alicia Keys e também conta com a canção “Walk on Water”, com Beyoncé.

Veja a capa abaixo.

NEW SONG + ALBUM PREORDER #UNTOUCHABLE #REVIVAL: https://t.co/1acPsetWBJ pic.twitter.com/2VfgKaqcUH

— Marshall Mathers (@Eminem) December 8, 2017

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Star Wars: Os Últimos Jedi - 14 coisas que descobrimos sobre o filme

RollingStone - qui, 07/12/2017 - 17:51

Na preparação para o lançamento de Star Wars: Os Últimos Jedi, a Rolling Stone EUA entrevistou o elenco e os criadores do filme para arrancar algumas curiosidades do grupo. Entre as confissões, Daisy Ridley (que interpreta Rey) relembrou que chorou quando soube que o diretor J.J. Abrams (de O Despertar da Força) retornaria para a saga, e Mark Hamill, o lendário Luke Skywalker, disse que aprendeu uma grande lição com o cineasta Rian Johnson, responsável pelo roteiro e pela direção do novo longa. Veja abaixo 14 fatos sobre a produção de Os Últimos Jedi, que chega aos cinemas na próxima quinta, 14.

1. J.J. Abrams não esperava dirigir o Episódio IX, que chega em 2019.. “Eu não pretendia voltar [para a saga]”, disse o diretor de O Despertar da Força (2015). “Mas quando apareceu a oportunidade de terminar a história que comecei, senti que era o momento para me superar. Aprendi muito com aquele filme e percebi uma chance de trabalhar a partir disso, dar um capítulo final para os personagens e de recuperar o espírito inicial. Era algo muito bom, que eu não podia deixar passar.”

2. Daisy chorou quando soube que Abrams voltaria. “Todo mundo disse que Rian [Johnson] seria o diretor [do Episódio IX], então eu fiquei realmente surpresa. Quando soube, disse ‘meu Deus!, e comecei a chorar. As pessoas no escritório não entenderam nada, mas eu mandei um e-mail para o J.J. dizendo o que tinha acontecido e ele respondeu falando que também estava chorando. Conversamos alguns dias depois, mas a verdade é que nunca perdemos contato.”

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3. Enquanto montava a história de Os Últimos Jedi, Johnson achou desafiador lidar com os “padrões” de Star Wars. “Qualquer fã de Star Wars consegue perceber que existem padrões em nossos cérebros sobre como as coisas devem acontecer nos filmes. É difícil, porque você não quer ser guiado por isso, mas também não quer fazer decisões criativas só para fugir disso. É uma linha tênue muito interessante, e eu senti que sempre tinha que estar consciente sobre os padrões, fosse para subvertê-los ou para trabalhar com eles. Você poderia dizer: ‘eu vou ignorar tudo e contar a minha história’, mas isso seria pura enganação. Você não pode deixar que eles sejam o centro, mas é necessário incorporá-los na narrativa, de uma maneira quase metalinguística.”

4. Para Johnson, a identidade dos pais de Rey é menos importante do que a reação da personagem à informação. “Eu realmente acredito que a descoberta tem que estar ligada a um grande impacto emocional, na verdade é a única coisa que importa. A surpresa é boa, mas não é suficiente por si só. Os efeitos da frase ‘Eu sou seu pai’ [de Darth Vader em O Império Contra-Ataca] são os que nos fazem lembrar dela, e não o fato de realmente nunca termos esperado que isso acontecesse.”

5. As histórias dos personagens principais terão mais peso dessa vez. “Existem mais conexões a fatos do passado”, disse Daisy Ridley. “Isso não existia muito em O Despertar da Força, porque estávamos vivendo uma aventura física, mas eu amo saber que cada passo dos personagens têm um porquê. É tudo muito influenciado pelo que já aconteceu.”

6. Johnson prestou muita atenção ao flashback em O Despertar da Força, que dá pistas sobre o passado de Rey – mas também assistiu ao resto do filme “milhares de vezes”. “Eu amo O Despertar da Força, e meu trabalho era continuar aquela história. J.J. me deu tudo o que eu precisava, que era o primeiro capítulo de uma história. Eu tinha que escrever o segundo, o que se torna falho caso a trama não continue de forma orgânica. Então claro que o flashback foi essencial, mas a dinâmica entre cada um dos personagens também foi. Na verdade, eu estudei O Despertar da Força incansavelmente.”

7. Porgs, as adoráveis e felpudas pequenas criaturas do novo filme, tiveram uma origem simples. “A primeira vez em que exploramos Skellig Michael, ilha onde filmamos as cenas com Luke, encontramos centenas de papagaios-do-mar”, conta Johnson. “O lugar é um santuário de pássaros. E quando vi aquilo pensei: ‘OK, precisamos fazer uma versão Star Wars deles’. Eu também estava procurando coisas leves e engraçadas na ilha, e essa combinação resultou nos Porgs. Eu amo muito eles!”

8. Veremos algo “mais interessante” da Capitã Phasma, interpretada por Gwendoline Christie. “Definitivamente vocês terão mais ação”, promete a atriz. “Acho que há algo muito interessante em uma batalha de desejos, não? O Despertar da Força constrói o relacionamento entre a Capitã Phasma e Finn. Eu amo que John Boyega, que é maravilhoso, a descreve como a ‘pior chefe que ele já teve’. Rian costumava dizer isso também, antes de começarmos as gravações. Existe algo debilitado, vingativo e depreciativo sobre esse relacionamento.”

9. No começo do processo criativo, Johnson se juntou ao grupo de roteiristas da Lucasfilm porque não queria enlouquecer sozinho. “Eu queria muito ter alguém ao meu lado enquanto começava a história, mesmo antes de escrever. Para mim, a coisa mais amedrontadora foi ter que fazer isso sozinho. Tinha muito medo de não conseguir fazer tudo a tempo, de ficar estagnado em algum ponto. Então a primeira coisa que fiz foi me mudar temporariamente para São Francisco. Aí, enquanto pensava e colocava ideias no papel, ia pelo menos uma vez por semana ao grupo de roteiristas e vomitava tudo o que passava pela minha cabeça.”

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10. Mas os roteiristas não puderam fazer muito além de manter Johnson no caminho para se tornar o próximo cânone da saga. “Eu tinha que continuar a história de O Despertar da Força, e lutar com a imagem de Star Wars implantada na minha mente há 40 ano e fazer um novo filme da saga. Então a relação com eles, pessoas inteligentes em quem eu confio, foi muito boa. Eu compartilhava ideias, e não senti que tive meus pensamentos podados. Eu queria mais uma permissão para fazer as coisas. Afinal, quando você está fazendo algo tão grande e assustador como um filme Star Wars, ter a permissão para ser estranho já é algo que ajuda muito.”

11. Mark Hamill aprendeu uma grande lição com Johnson. “Teve vezes que eu disse para o Ryan que nós tínhamos que pensar no que o público queria. Mas ele sempre me dizia: ‘não, temos que pensar no que nós queremos.’ E isso foi um processo de aprendizagem para mim.”

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12. Ainda que Carrie Fisher tenha terminado as filmagens antes da trágica morte dela em dezembro de 2016, ela não havia completado as regravações dos diálogos em estúdio, o que causou alguns problemas técnicos. “Tivemos que trabalhar muito no áudio, o que foi difícil, mas conseguimos ter sucesso”, conta Johnson. “Temos um ótimo time de som e pudemos trabalhar com pequenos trechos para fazer o áudio da Carrie funcionar. Você tem que fazer o que for necessário.”

13. Kelly Marie Tran (que interpreta a nova personagem Rose Tico) pensa muito sobre ser a primeira atriz com descendência asiática na saga. “Eu amaria viver em um mundo em que ninguém tivesse que representar um grande número de pessoas, simplesmente pelo fato de não haver muitas delas em filmes ou na TV. Eu gostaria que milhares de pessoas diferentes ocupassem esses cargos. Mas obviamente não é assim, e penso frequentemente nisso. John [Boyega] também falou comigo sobre isso no set. Estávamos gravando e John me disse: ‘Kelly, estamos fazendo história’.”

14. Hamill acredita que vai levar um tempo até ele decidir o que realmente acha sobre Os Últimos Jedi. “Agora que terminamos, o filme é do público”, disse. “Então se as pessoas estão esperando que eu saia falando o que eu acho sobre ele, vão ficar desapontadas, porque vai levar um bom tempo. Só agora me sinto pronto para falar sobre O Império Contra-Ataca! [risos].”

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