Jim Carrey fala sobre batalha contra depressão: “Ela não me sufoca mais”

RollingStone - qui, 23/11/2017 - 12:02

Em uma entrevista recente ao portal de notícias britânico i, Jim Carrey falou sobre a contínua batalha contra a depressão. O ator afirmou que atualmente a doença “não permanece durante tempo suficiente para sufocá-lo”.

O astro de filmes como Ace Ventura - Um Detetive Diferente (1994), O Show de Truman (1998) e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004) discutiu publicamente o assunto pela primeira vez em 2004, em uma entrevista à CBS News. Na época, explicou: “existem picos e vales. Mas são sempre cavados e suavizados para que você sinta em um permanente nível de desespero. Para que você fique em um lugar sem respostas, ainda que viva bem. Assim, você consegue sorrir quando está no escritório, mas continua em um baixo nível de aflição. Entende?”

Assista a uma performance de Jim Carrey e Alice Cooper no Havaí

Ao i, Carrey afirmou que após 13 anos ele “não tem mais depressão”. “Não há uma experiência depressiva. Eu tive por anos, mas agora quando a chuva chega, chove, mas não permanece. Ela não fica mais o tempo suficiente para me sufocar e me afogar.”

No último dia 17 de novembro, estreou na Netflix Jim & Andy: The Great Beyond, mais novo documentário da plataforma estrelando Carrey. O filme traz imagens dos bastidores de O Mundo de Andy (1999), em que o ator interpretou o comediante Andy Kaufman. A obra tem como foco a vida de Carrey durante e logo após o fim das filmagens, momento em que ele tenta voltar à “vida normal” após ter encontrado uma nova persona. Assista ao trailer abaixo.

Categorias: Notícias

Pink lança clipe e internautas veem plágio com hit de Anitta

Terra Música - qui, 23/11/2017 - 08:30
A cantora Pink lançou, na última terça-feira (21), o clipe "Beautiful trauma", estrelado por ela ...
Categorias: Notícias

Enquetes: as melhores músicas e discos de 2017

RollingStone - qua, 22/11/2017 - 21:37

Chegou o fim do ano e a hora de pensar nos melhores momentos da música em 2017. Convidamos você a escolher os melhores álbuns e canções do ano. Na sua opinião, o que se produziu de mais interessante na música nacional e internacional?

Para votar, acesse os links abaixo. Eles levam, respectivamente, para as enquetes de Melhores Discos Nacionais do Ano, Melhores Discos Internacionais do Ano, Melhores Músicas Nacionais do Ano e Melhores Músicas Internacionais do Ano. Você pode selecionar entre 5 e 10 opções em cada enquete. Se o disco/música que você quiser escolher não estiver na lista, deixe seu voto registrado nos comentários. O resultado sai na edição de janeiro de 2018 da Rolling Stone Brasil.

Enquete: melhores discos nacionais de 2017

Enquete: melhores discos internacionais de 2017

Enquete: melhores músicas nacionais de 2017

Enquete: melhores músicas internacionais de 2017

Categorias: Notícias

Brian Johnson, do AC/DC, relembra Malcolm Young: “Ele nos ensinou o significado de estar em uma banda”

RollingStone - qua, 22/11/2017 - 15:25

Em uma entrevista recente à Rolling Stone EUA, Brian Johnson relembrou o amigo e colega de banda Malcolm Young, com quem passou 35 anos tocando no AC/DC. O guitarrista e cofundador da banda morreu no último dia 18 de novembro, aos 64 anos, por complicações da demência que portava.

“Malcolm catalisava forças. Foi ele quem chegou para o Angus [Young] e disse ‘enlouqueça com a guitarra’. Foi ele quem ensinou a todos nós o significado de estar em uma banda”, afirmou. “Ele prestava atenção em tudo. No palco, estava sempre observando e se certificando que nada sairia errado.”

Malcolm Young: assista à última performance dele ao lado do AC/DC

Entre as lembranças revividas, uma das mais fortes é a memória sobre a criação da clássica “You Shook Me All Night Long”. Johnson estava há pouco tempo na banda quando eles foram para as Bahamas gravar Back in Black (1980), e Young o abordou apenas com o título da música. “Eu perguntei se ele já tinha um nome, e ele disse que era ‘You Shook Me All Night Long’. Eu respondi: ‘essa porra é enorme’, e Young falou: ‘amigo, leve o tempo que precisar. Nós vamos ficar o dia todo trabalhando para conseguir algumas músicas’.”

“E ele era assim”, continuou. “Nunca diria: ‘me dê alguns versos até amanhã’. Ele falaria: ‘sente-se e veja o que consegue fazer’. Por sorte, consegui escrever uma música inteira. Ele não é o tipo de cara que eu gostaria de decepcionar, afinal era quem tinha me escolhido para a banda.”

O vocalista mostrou uma admiração infinita por Young, ao dizer que ele andava “de mãos dadas com o rock and roll”. “As pessoas sempre perguntavam como ele conseguia aquele som, e ele simplesmente não respondia ou não conseguia explicar como fazia. Em “Let There Be Rock”, eu normalmente ficava ao lado dele o assistindo tocar. E ele fazia solos de guitarra como mais ninguém.”

Sobre as recentes homenagens para Young, Johnson opinou que ele ficaria “surpreso”. “Ele não pensava sobre si próprio dessa maneira, que era ótimo ou algo assim. Eu aprendi o que era espírito de equipe com o Malcolm. Você é apenas uma engrenagem em uma máquina. Se trabalharmos juntos, conseguiremos coisas incríveis. E funcionava assim. Mal não está mais aqui, mas se eu tiver um problema, vou parar e pensar: ‘o que Mal faria?’. Ele sempre parecia fazer a escolha certa.”

Categorias: Notícias

Morre David Cassidy, astro de A Família Dó-Ré-Mi

RollingStone - qua, 22/11/2017 - 12:39

David Cassidy, o músico, ator e ídolo de A Família Dó-Ré-Mi, morreu na última terça, 21, de acordo com o The Hollywood Reporter. Ele tinha 67 anos e havia sido recentemente internado em um hospital na Flórida, Estados Unidos, em estado crítico, com problemas no fígado e insuficiência renal.

Jo-Ann Geffen, representante de Cassidy, confirmou a morte dele. “David morreu cercado de pessoas que o amavam, com felicidade em seu coração e livre da dor que o atormentava há tanto tempo. Agradecemos pelo enorme apoio de vocês ao longo de todos esses anos.”

David Cassidy revela que foi diagnosticado com demência

Carreira

Filho de atores da Broadway, Cassidy começou a carreira aos 19 anos, como Keith Partridge, de A Família Dó-Ré-Mi (1970). “Minha carreira tomou um caminho muito diferente do que eu imaginava. Eu queria ser ator, mas vi os Beatles no Ed Sullivan, e depois disso, quis tocar violão”, disse em uma entrevista ao Phoenix New Times em 2012.

Ao longo de quatro temporadas e 96 episódios, A Família Dó-Ré-Mi se tornou um sucesso da TV e da música, com a canção “I Think I Love You” atingindo o topo das paradas norte-americanas. Graças à estrondosa popularidade do programa, Cassidy ascendeu rapidamente ao status de ídolo teen — de acordo com o site do ator, no auge da fama dele, o Fã Clube de Cassidy tinha mais membros do que o dos Beatles e o de Elvis Presley juntos.

Em 1972, ele lançou o disco de estreia Cherish. Em 1974, A Família Dó-Ré-Mi foi cancelada e Cassidy teve dificuldades para recuperar o sucesso do começo dos anos 1970. Em 1978, voltou à TV para a série investigativa Man Undercover, que teve apenas dez episódios.

Na música, ele colaborou com grandes nomes, como os Beach Boys — Carl Wilson e Bruce Johnston aparecem em Home Is Where the Heart Is, disco dele de 1976, enquanto Brian Wilson coescreveu “Cruise to Harlem” com Cassidy —, além de ter se tornado amigo de John Lennon. Em 1985, George Michael também colaborou com o músico, no single “The Last Kiss”.


Categorias: Notícias

“Downtown”: Diretor do novo clipe de Anitta irá comandar próximo vídeo de Pabllo Vittar e quer trabalhar com Lorde e Lana Del Rey

RollingStone - ter, 21/11/2017 - 16:38

Anitta começou a dar pistas do interesse dela no mercado internacional no começo de 2016, quando participou de um remix de “Ginza”, reggaeton de J. Balvin. Quase dois anos depois, com um plano traçado para atingir o patamar de artista mundial, a diva brasileira se junta novamente ao colombiano em “Downtown”, terceiro lançamento de CheckMate (projeto iniciado em setembro, em que divulga uma música e um vídeo por mês).



Ela está mais poderosa do que nunca. No novo clipe, esbanja sensualidade enquanto participa de um plano para roubar magnatas apaixonados pelo jogo em um cassino luxuoso. E o responsável pela criação de todo o deslumbrante cenário é Bruno Ilogti, da O2 Filmes. Este é o sexto videoclipe de Anitta dirigido por ele, que começou a parceria com a cantora em 2015, com “Bang”.

“‘Bang’ é um turning point tanto estético quanto de atitude, mas sempre nos preocupamos em não deixar o DNA da Anitta desaparecer”, comenta sobre o clipe que, diferentemente dos registros visuais anteriores da cantora, conta com uma atmosfera mais lúdica, devido aos efeitos animados. “Hoje vejo que fomos reais game changers, e que talvez ‘Bang’ tenha aberto portas para uma estética mais profissional e divertida no cenário de videoclipes do Brasil.”



A atmosfera divertida continuou no clipe de “Essa Mina É Louca”, mas diminuiu nos outros trabalhos de Ilogti com Anitta: “Cravo e Canela”, a estreia em espanhol “Paradinha” e a superprodução “Sua Cara” (parceria com Major Lazer e Pabllo Vittar). Segundo ele, a mudança veio de um desejo mútuo, já que toda ideia surge a partir de muita conversa. “[A discussão] fica fácil com Anitta, porque ela é muito transparente, comunicativa e tem uma visão muito clara sobre seu público.”

E parece que o objetivo foi passar do lúdico para o real, com Anitta conquistando os mais diversos lugares nos clipes dela. Em “Paradinha” foi um supermercado, em “Sua Cara” foi o deserto e agora, em “Downtown”, o cassino. “Para cada clipe da Anitta procuro levar ela para um lugar onde nunca esteve, acho que isso encanta tanto os fãs quanto ela mesma. Ela gosta desse desafio e acho que isso é uma das coisas que a fazem crescer ainda mais na carreira.”

Double Dutchess

Além do trabalho com Anitta, Ilogti — que já assinou filmes publicitários de marcas como Valentino e Vivara, com a participação até del Gisele Bündchen — também foi convidado para comandar Double Dutchess, álbum visual e projeto mais recente de Fergie. Foram 13 clipes que têm entre os principais colaboradores Nicki Minaj (em “You Already Know”) e a modelo Kendall Jenner (em “Enchanté (Carine)”). “Passamos por um processo de dois anos para chegar ao resultado visual com a Fergie. É muito mais intenso do que trabalhar em singles separados, porque você sente a importância do projeto para a artista. O projeto acaba virando uma família, o que é muito enriquecedor.”



Com Anitta, Fergie e Pabllo Vittar, a lista de trabalhos musicais de Ilogti é comandada por divas. E parece que ele quer continuar assim. O diretor revelou que será o responsável pelo próximo clipe de Pabllo e que deseja trabalhar com outros dois fortes nomes da música pop mundial. “Gostaria muito de fazer algo com a Lana Del Rey e com a Lorde.”

Categorias: Notícias

Foo Fighters anuncia show extra com o Queens of the Stone Age em São Paulo

RollingStone - ter, 21/11/2017 - 13:42

Foo Fighters e Queens of the Stone Age são responsáveis por uma das turnês mais esperadas no Brasil em 2018, e uma das datas, para o show o de São Paulo, já teve os ingressos quase esgotados. Por isso, as bandas anunciaram nesta terça, 21, mais uma apresentação no mesmo local, o Allianz Parque, no dia seguinte do primeiro show: 28 de fevereiro.

Sendo assim, os grupos liderados por Dave Grohl e Josh Homme têm agora cinco shows agendados no país, sendo o primeiro no Rio de Janeiro (estádio do Maracanã), no dia 25 de fevereiro, depois em São Paulo (no estádio do Palmeiras), nos dias 27 e 28, Curitiba (Pedreira Paulo Leminski), já no dia 2 de março, e Porto Alegre (estádio Beira-Rio), no dia 4.

Resenha: Josh Homme cai no glam rock no novo disco do Queens of the Stone Age

Os ingressos para a apresentação extra em São Paulo custam entre R$ 270 e R$ 740, com opção de meia-entrada. As vendas para o público geral começam no dia 30 de novembro, pelo site do Eventim, e os ingressos podem ser divididos em até quatro vezes. Clientes do Ourocard (Banco do Brasil) podem adquirir as entradas na pré-venda, a partir de 27 de novembro, e dividir os pagamentos em até seis parcelas.

Abaixo, veja a publicação com o anúncio do show extra, no qual as bandas citam a “demanda excessiva” por ingressos como razão para a nova data.

Tanto o Foo Fighters quanto o Queens of the Stone Age lançaram novos discos nos últimos meses. A banda de Dave Grohl fez Concrete and Gold, nono álbum de estúdio, com colaboração do produtor Greg Kurstin (Adele, Tegan and Sara). Já o grupo de Josh Homme soltou Villains, nono LP de inéditas, no qual trabalhou com Mark Ronson. Além disso, Grohl e Homme são amigos e frequentes colaboradores (Grohl famosamente tocou bateria no disco Songs for the Deaf, de 2002, e eles têm até uma banda juntos, o Them Crooked Vultures).

[perfil] Riffs máximos, drama mínimo e muito churrasco: a doce vida e a fé no rock do Foo Fighters, maior banda dos EUA

Frequentadores constantes dos line-ups de grandes festivais no Brasil, Foo Fighters e Queens of the Stone Age já tocaram no Lollapalooza (FF em 2012 e o QoTSA em 2013), no Rock in Rio (QoTSA em 2001 e 2015 e FF em 2001) e SWU (QoTSA em 2010), entre outros eventos. A última excursão solo do Foo Fighters pelo Brasil aconteceu em 2015, enquanto a última passagem solo do Queens of the Stone Age foi no ano anterior.

Foo Fighters e Queens of the Stone Age no Brasil
Rio de Janeiro
25 de fevereiro (domingo)
Maracanã | Rua Professor Eurico Rabelo – Maracanã
Entre R$ 220 e R$ 720, com opção de meia-entrada. Venda no site da Eventim

São Paulo
27 e 28 de fevereiro (terça e quarta-feira)
Allianz Parque | Avenida Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca
Entre R$ 270 e R$ 740, com opção de meia-entrada. Venda no site da Eventim

Curitiba
2 de março (sexta-feira)
Pedreira Paulo Leminski | Rua João Gava, 970
Entre R$ 440 e R$ 880, com opção de meia-entrada. Venda no site da Eventim

Porto Alegre
4 de março (domingo)
Estádio Beira-Rio | Avenida Padre Cacique, 891 – Praia de Belas
Entre R$ 250 e R$ 680, com opção de meia-entrada. Venda no site da Eventim

Categorias: Notícias

Reputation, de Taylor Swift, já é o disco mais vendido do ano após a semana de estreia

RollingStone - ter, 21/11/2017 - 12:36

Reputation, disco de Taylor Swift, teve a melhor semana de estreia de 2017 – e se tornou o álbum mais vendido do ano até agora –, tendo rendido mais de 1,2 milhão de cópias só nos primeiros sete dias e ocupado, obviamente, a primeira posição da parada norte-americana.

Reputation marca a quarta vez em que Taylor ultrapassa o milhão de cópias na primeira semana – depois de Speak Now, de 2010, Red, de 2012, e 1989, de 2014 –, fazendo dela a primeira artista a ter quatro estreias com mais de um milhão de cópias vendidas. Reputation também angariou o 10º lugar em melhores semanas de vendas na história da Nielsen Music, empresa que contabiliza os números.

Leia também: Taylor Swift abandona dramas da mídia em Reputation, disco mais íntimo da carreira

Segundo a Nielsen, Reputation vendeu estonteantes 41% mais cópias do que todos os outros 199 álbuns mais bem colocados na parada norte-americana juntos.

Em uma era na qual os serviços de streaming rendem mais vendas, graças aos “álbuns equivalentes de streaming”, a grande semana de estreia de Reputation acontece devido às vendas tradicionais, tanto digital quanto físicas, uma vez que Taylor novamente não colocou o disco dela nos serviços de streaming na primeira semana.

Ao render 1.216 milhão de cópias nos sete dias iniciais, Reputation já é o disco mais vendido de 2017, passando Divide, de Ed Sheeran, que já vendeu 931 mil cópias no total. Na discografia da cantora, o novo álbum só fica atrás de 1989, que teve 1.287 cópias vendidas na semana de estreia.

Categorias: Notícias

Guitarrista do System Of a Down diz estar “muito triste” com a morte do “gênio” Charles Manson e gera polêmica

RollingStone - ter, 21/11/2017 - 12:32

Daron Malakian, guitarrista do System Of a Down, causou polêmica ao dizer que ficou “muito triste” com a notícia da morte de Charles Manson. O músico afirmou que o criminoso era um “gênio” pela produção musical e pelo posicionamento que apresentava em entrevistas.

O infame psicopata morreu no último domingo, 19. Segundo informações do TMZ, o assassino de 83 anos estava internado em um hospital de Bakersfield, na Califórnia, desde o dia 16 de novembro.

[Arquivo] A Face do Mal: as confissões finais de Charles Manson, em entrevista única de 2013 à RS

“Muito triste a notícia da morte de Charles Manson”, escreveu Malakian, em uma publicação no Facebook. “A música e as entrevistas de Manson foram grandes influências para mim na época do Toxicity [segundo disco de estúdio do System Of a Down, lançado em 2001]. O título de 'A.T.W.A.' vem da organização ambiental de Manson. Eu me interessava pelo jeito como ele articulava os pensamentos e a visão sobre a sociedade, não pelos assassinatos.”

Veja o post original, em inglês, abaixo.

Após receber diversos comentários negativos, Malakian voltou a se posicionar, enfatizando que não concorda com os crimes cometidos por Manson, mas que não acredita que estes devam influenciar na potência das contribuições artísticas dele.

“Manson era um gênio que conseguia articular os pensamentos de uma maneira muito inteligente. Se vocês conhecem apenas o Manson vendido pela mídia, eu não os culpo pelos comentários negativos. Mas há um outro lado de Manson, um compositor que escreveu ‘Look At Your Game’, música que ganhou um cover do Guns N’ Roses. Ele também tinha opiniões muito válidas sobre a sociedade e o meio-ambiente, que até mesmo alguns de vocês que estão me chamando de nojento não poderiam discordar se assistissem às entrevistas dele com atenção.”

Graças à ligação com astros do rock, Charles Manson foi o criminoso mais conhecido de todos os tempos

O músico continuou a argumentação comparando Manson a O.J. Simpson, jogador de futebol americano que foi acusado dos assassinatos da ex-mulher Nicole Brown e do amigo Ronald Goldman. “Às vezes pessoas talentosas fazem coisas ruins. Por exemplo, O.J. Simpson matou a mulher dele, o que é horrível. Mas não podemos negar que ele foi um dos melhores jogadores de futebol americano da história. Então existe o O.J. assassino e o O.J. jogador. E se eu fosse um jogador de futebol, não poderia negar a contribuição feita por Simpson e o impacto que ele teve nos jogadores. Sim, ele fez algo horrível quando matou a mulher dele, mas o talento é inegável.”

Categorias: Notícias

Bruno Mars leva sete prêmios no American Music Awards 2017

Terra Música - ter, 21/11/2017 - 11:33
Com 16 performances e 28 prêmios entregues, o American Music Awards 2017 roubou a cena no último ...
Categorias: Notícias

Elza Soares estrela novo clipe de “A Carne” e minidocumentário ao lado da judoca Rafaela Silva

RollingStone - seg, 20/11/2017 - 17:42

Elza Soares já havia feito um clipe para a faixa “A Carne”, lançada no começo da década passada (escrita por Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses). Nesta segunda, 20, o Dia Nacional da Consciência Negra, ela libera um novo vídeo para a canção, repleta de críticas ao racismo, com o emblemático refrão que diz: “A carne mais barata do mercado é a carne negra.”

O vídeo traz imagens de Elza e também da judoca Rafaela Silva, isto porque as duas também estrelam um minidocumentário lançado junto ao clipe de “A Carne”. Trata-se de Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta, que explora brevemente as vidas de uma das maiores cantoras da história do país e da judoca campeã mundial e olímpica, com destaque para os aspectos em comum das trajetórias delas, duas ícones negras.

O projeto completo, chamado Carne Negra, foi criado pela Conspiração Filmes e tem patrocínio do banco Bradesco. O clipe de “A Carne” foi comandado pelo coletivo MOOC, enquanto o minidocumentário teve direção da Dupla Banzai, sendo que ambos integram o casting da Conspiração.

Abaixo, assista ao novo clipe de “A Carne” e ao minidocumentário Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta.

Categorias: Notícias

Os Primeiros Furos

RollingStone - seg, 20/11/2017 - 15:26

Tirando o fato de serem os réus mais notórios dos Estados Unidos no início da década de 1970, Charles Manson e Patty Hearst não tinham nada em comum. Ele era líder de um culto e esperava iniciar uma guerra racial; ela era uma herdeira adolescente sequestrada por um grupo de revolucionários ineptos (a ironia é que apenas a tímida Patty participou diretamente de um crime). Os dois foram sensações midiáticas que geraram incontáveis horas de cobertura noticiosa, mas foram equipes de repórteres da Rolling Stone que driblaram a grande imprensa, conseguindo matérias exclusivas e inovadoras sobre ambos. No desenrolar dos acontecimentos, os jornalistas elevaram a Rolling Stone de um pequeno periódico jovem a uma publicação que poderia influenciar discussões em âmbito nacional.

Começou em agosto de 1969, quando Sharon Tate, grávida, e outras quatro pessoas foram assassinadas na mansão da atriz, em Los Angeles; no dia seguinte, o casal LaBianca foi morto em casa, na mesma cidade. Manson, que era compositor amador e amigo de Dennis Wilson, baterista do Beach Boys, logo foi identificado como o mentor dos massacres, mas muitos na imprensa underground o consideravam inocente – inclusive, inicialmente, a Rolling Stone. “Ele era hippie como nós”, diz o redator David Dalton. “Achei que tinha sido condenado injustamente. Eu ficava cuspindo uma baboseira hippie, tipo ‘de que lado você está, cara? A porra do governo é corrupta!’”

Dalton era um especialista em rock com conexões pessoais com Wilson. Para investigar a história de Manson, a Rolling Stone o uniu com o veterano repórter investigativo David Felton. A revista esperava conseguir uma entrevista atrás das grades, planejando publicá-la com uma frase provocadora na capa: “Manson é inocente”. O líder do culto estava preso em Los Angeles aguardando julgamento e havia recusado a maioria dos pedidos de entrevista, mas seu novo álbum, Lie: The Love and Terror Cult, estava sendo lançado e ele queria
promovê-lo na revista. “Tivemos de fingir ser advogados para conseguir entrar”, conta Felton.

Ele e Dalton sentaram de frente para Manson, que tinha uma barba recém-feita e havia acabado de marcar um “X” na testa. “Ele ficava tamborilando as unhas na mesa”, diz Felton. “Dava para ver como conseguia ter poder sobre as pessoas.” Dalton sentiu que estava se conectando com um colega hippie. A certa altura, quis perguntar “você é do signo de Escorpião, não?”, mas a frase acabou saindo como “você é um escorpião”. “Dez emoções diferentes passaram pelo rosto de Manson – raiva, choque, confusão”, lembra Dalton. “Ele podia passar de racismo puro e cruel a ambientalismo e declarações como ‘sou Deus’.”

Foi suficiente para convencer Felton de que esse não era um hippie sendo enquadrado pela polícia, mas Dalton ainda acreditava em sua inocência. Ele e a esposa tinham passado a semana anterior morando com membros da chamada Família Manson (incluindo Lynette “Squeaky” Fromme, que tentou assassinar o presidente norte-americano Gerald Ford) na propriedade rural Spahn Ranch, na periferia de Los Angeles. “Era como qualquer outra comunidade hippie. Revirávamos lixos e fazíamos uma espécie de cozido. Cavalgávamos à noite. Foi totalmente agradável”, ele recorda.

Pouco depois da entrevista com Manson, Felton e Dalton falaram com o promotor de Los Angeles, Aaron Stovitz, que deu detalhes sobre os homicídios. “Ele pegou fotos dos assassinatos dos LaBianca”, conta Dalton. “Vejo ‘Piggies’ e ‘Helter Skelter’ [em sangue] nas paredes e na geladeira. Naquele momento, soube que tinham feito aquilo. Os policiais de Los Angeles precisariam ser gênios para plantar algo assim.”

Dalton imediatamente pensou na esposa, que ainda estava vivendo em Spahn Ranch. Ele correu até o local, persuadiu-a a cavalgar até o meio do deserto e, então, explicou que estavam em perigo. “Nós nos sentíamos perfeitamente seguros enquanto acreditávamos que ele era inocente”, diz Dalton. “Agora [os membros da Família] pareciam filhos do demônio. Os olhos deles tinham as pupilas dilatadas e todos pareciam estar afinados na mesma vibração harmônica.” O casal voltou ao rancho e fingiu uma briga na qual ela o acusou de infidelidade. Os dois saíram intempestivamente e pediram carona para voltar à cidade. “Foi como viver um filme de terror. A paranoia em Los Angeles era como uma linha de energia solta serpenteando na Pacific Coast Highway.”

O casal se mudou para a casa de Felton em Pasadena, onde os dois jornalistas passaram seis semanas transformando suas anotações e transcrições em um texto de 30 mil palavras, praticamente o tamanho de um pequeno livro. Felton lidou com a parte jornalística e Dalton a temperou com prosa experimental. “Tenho um trecho no final que é uma espécie de reflexão filosófica, metafísica sobre tudo aquilo”, diz Dalton. “Ainda não sei se faz sentido.”

O produto final teve 21 páginas, ajudando a Rolling Stone a ganhar um prestigioso National Magazine Award, o primeiro da revista. “Tenho um sentimento profundo sobre isso até hoje. E fico feliz que Manson ainda esteja preso”, afirma Felton.

Quatro anos depois, Patty Hearst foi sequestrada em seu apartamento na cidade de Berkeley e jogada no porta-malas de um carro por um grupo radical que se autodenominava Exército Simbionês de Libertação. Em uma série de cartas bizarras, o ESL disse que libertaria Patty se a família dela – herdeira da dinastia de jornais Hearst – desse US$ 70 em comida a cada família carente do estado da Califórnia, o que custaria US$ 400 milhões. A saga emocionou os Estados Unidos. Muitos presumiram que Patty tinha sido coagida, mas “Tania”, como o ESL a rebatizou, logo foi flagrada roubando um banco. Ela tinha escolhido ficar com o grupo quando poderia ter fugido.

A Rolling Stone havia acabado de conseguir um grande furo de reportagem com o artigo de Howard Kohn, ex-jornalista do Detroit Free Press, sobre Karen Silkwood, uma ativista que morreu em circunstâncias misteriosas depois de denunciar a empresa de produtos químicos onde trabalhava. Kohn e seu amigo David Weir, que tinha ligações com o underground radical da Bay Area, contataram o advogado Michael Kennedy (cujo cliente e membro do ESL, Jack Scott, tinha atravessado o país com Patty Hearst no verão de 1974). Em maio daquele ano, as autoridades haviam incendiado uma casa com a maior parte do ESL dentro dela, um evento chocante transmitido ao vivo pela TV; Patty tinha escapado, mas seu paradeiro era um mistério. Scott estava pronto para falar como fonte anônima, dando à Rolling Stone o furo da década. “Kohn era um repórter investigativo clássico, curioso”, diz Paul Scanlon, editor-geral da revista na época. “Nunca vi alguém cavar tão fundo como ele.”

Enquanto a grande imprensa se contentava em simplesmente ir a entrevistas coletivas, os repórteres da Rolling Stone partiram para uma odisseia até o outro lado dos Estados Unidos, refazendo os passos de Patty para verificar as histórias contadas por Scott e outras fontes. Por sua vez, o editor e publisher da Rolling Stone, Jann Wenner, planejou duas matérias de capa. “Jann sabia que dependeríamos de muitas fontes anônimas”, conta Kohn. “Isso não é problema se você é o The New York Times e tem um monte de advogados e um histórico de tradição jornalística. Mas a Rolling Stone não tinha muito dinheiro nem consultoria jurídica.”

A primeira matéria foi escrita em segredo. Faltava cerca de um mês para a publicação quando, em 18 de setembro de 1975, Patty foi detida em São Francisco. “Por algumas horas, achamos que a história tinha acabado, mas Jann tinha certeza de que precisávamos continuar”, diz Kohn.

Uma capa com Rod Stewart e a namorada, Britt Ekland, caiu para que a matéria com Patty Hearst pudesse ser publicada antecipadamente. Guardas foram posicionados na gráfica em St. Louis para que os exemplares não vazassem antes da hora. Quando começou o burburinho de que a Rolling Stone tinha a história exclusiva dos dois anos de Patty como fugitiva, a revista foi inundada com pedidos da imprensa. A história foi destaque em todos os telejornais naquela noite; Weir e Kohn apareceram no programa Today. “Lembro que gritei com [o famoso advogado da família Hearst] William Kunstler, um dos meus heróis, ao telefone”, conta Paul Scanlon. “Ele estava tentando proibir nossa publicação.”

Kunstler não foi o único enfurecido com a matéria. O FBI tinha sido superado por dois repórteres de 20 e poucos anos e exigiu que ambos nomeassem as fontes, sob o risco de prisão (na última hora, um juiz permitiu que a dupla ficasse livre). A segunda capa planejada saiu um mês depois, focando mais no lado da família sobre a saga, mas também estava cheia de informações de membros do ESL que resolveram falar. Um disse a Weir que deixaria um pacote com informações em uma cabine telefônica sob um viaduto. “Pensei: ‘Se é para atirarem em mim, é aqui que vão me pegar’”, lembra Weir. “Foi uma das caminhadas mais assustadoras da minha vida, mas de alguma forma entrei, saí e conseguimos nosso material.”

Mais de quatro décadas depois, os envolvidos na história se lembram nitidamente dos eventos. “A imagem da Rolling Stone como notícia principal em três grandes telejornais naquela noite me emociona”, diz Scanlon. “Patty Hearst foi um salto à frente em termos de credibilidade, em termos de convencer as pessoas de que esta não era só uma revista de rock de São Francisco. Sinto a adrenalina correndo nas veias só de pensar”.

Categorias: Notícias

Graças à ligação com astros do rock, Charles Manson foi o criminoso mais conhecido de todos os tempos

RollingStone - seg, 20/11/2017 - 13:25

Charles Manson foi o criminoso mais conhecido de todos os tempos. Graças à ligação com a contracultura e com astros do rock, por um curto período de tempo, ele também virou ícone pop, mas com um viés pervertido. Conforme escreveu o biógrafo Jeff Gunn na recém-lançada biografia Manson (Darkside), “Charles Manson era o cara errado no lugar certo e na hora certa”.

Galeria: como o cinema e a televisão retratam Charles Manson

Nascido Charles Milles Madoxx, no dia 12 de novembro de 1934, em Cincinnati, Ohio, Manson (o sobrenome foi adotado do padrasto, William Manson) permaneceu toda a vida adulta, praticamente, encarcerado após ser condenado por crimes diversos. Quando foi libertado, em março de 1967, tinha 32 anos: era um sujeito semianalfabeto, ladrão de carros, cafetão e falsário. Ele foi parar em São Francisco e, lá, entrou de cabeça no nascente mundo da contracultura. Manson, um músico amador que conhecia preceitos da cientologia, falava com desenvoltura e possuía um intenso carisma. Logo formou uma comunidade de jovens desajustados e que tinham abandonado suas respectivas casas. O grupo era chamado de Família e essa turma vivia de pequenos golpes, comia restos de comida jogados fora pelos supermercados. A Família Manson escolheu como lar um lugar nos arredores de Los Angeles chamado Spahn Ranch, que tinha sido usado para filmagens, anteriormente.

No final de 1968, Dennis Wilson, baterista dos Beach Boys, deu carona para Ella Jo Bailey e Patricia Krenwinkel, duas integrantes da Família Manson. Ele as levou para a casa dele, no número 14400 da Sunset Boulevard. Foi assim que o músico ficou sabendo da existência de Charles Manson, que era chamado pelas garotas de “O Mago”. Na manhã seguinte, Wilson retornava para casa e viu que havia uma movimentação lá dentro. Manson e seu séquito tinham invadido o local. Quando chegou à porta, Dennis se deparou com Manson. Ele encontrou um homem de menos de 1 metro e 70, ligeiramente corcunda, barbudo e com o cabelo até os ombros. Com um olhar intenso, perturbador e hipnótico, o criminoso mais parecia um hippie saído de um filme gótico. Wilson perguntou ao invasor: “Você vai me machucar?”. E ele respondeu: “Eu tenho jeito que vou machucar você?”. Em seguida, se ajoelhou e beijou os pés de Wilson. O baterista perguntou: “Quem é você?” E Manson respondeu: “Um amigo”.

Wilson ficou chocado com os acontecimentos inesperados, mas não se chateou, tampouco se preocupou em chamar a polícia. A Família Manson era integrada por um grande número de garotas jovens e bonitas prontas para o sexo. Assim, o Beach Boy não se importou que Manson e seus parasitas morassem com ele por tempo indeterminado. No final, o músico tomou um prejuízo gigantesco: os “hóspedes” roubaram os discos de ouro dele, roupas caras e ainda estragaram seus carros. Wilson, então, acabou se cansando de Manson e companhia e conseguiu que eles fossem expulsos de sua mansão.

Fã dos Beatles, Manson queria ser astro do rock e achou em Dennis Wilson o instrumento perfeito para conseguir o que queria. Wilson começou a levar Manson para lugares badalados, como o lendário clube de LA Whisky a Go Go, e o apresentou para Neil Young e John Phillips (The Mamas and The Papas). Através de Wilson, Manson conheceu Terry Melcher , filho da atriz Doris Day e um dos mais bem sucedidos produtores musicais de Los Angeles. Melcher, a principio, se interessou em ouvir a música de Manson, mas logo percebeu que tinha em mais um psicopata e as negociações não progrediram. Manson nunca esqueceu da “traição” de Melcher e jurou se vingar dele. Manson conhecia o endereço de Melcher e sabia como entrar na casa dele burlando os alarmes. Porém, o produtor se mudou de lá e quem habitou a casa posteriormente foi a atriz Sharon Tate, que tinha 26 anos e estava grávida de quase nove meses do diretor de cinema Roman Polanski.

Com mais de 50 anos de carreira, Julian Wasser se especializou em registrar personalidades que deixaram marcas no mundo do entretenimento.

Dennis Wilson agendou para Manson algumas sessões de gravação no estúdio dos Beach Boys. Mas o psicopata não tinha nenhuma disciplina e o material não pode ser aproveitado. Os Beach Boys gravaram uma música dele, que originalmente se chamava “Cease to Exist”. Dennis Wilson modificou ligeiramente a letra e andamento e a canção foi gravada com o nome “Never Learn Not To Love”. Saiu no lado b de “Bluebirds Over The Mountain” e também foi incluída no álbum 20/20. O single não passou do 61º lugar, mas, pelo menos, Charles Manson tinha chegado até a parada de sucessos.

Charles Manson tinha teoria malucas sobre o destino da humanidade. Ele acreditava que os brancos e negros iriam entrar em uma guerra racial e acabariam se exterminando. Insistia que, depois do assassinato de Dr. Martin Luther King Jr., em 1968, este seria o caminho lógico. E somente ele, Manson, e sua Família, escondidos no deserto, sobreviveriam. Ao conceber esta teoria, misturava preceitos da Bíblia com as canções do White Album dos Beatles. Para ele, cada canção tinha um significado apocalíptico – tanto que batizou de “Helter Skelter” (uma das faixas mais contundentes do disco) o futuro e eminente conflito.

No dia 8 de agosto de 1969, Sharon Tate e seus amigos Jay Sebring (um famoso cabeleireiro de Hollywood), Wojciech Frykowski (ator polonês) e Abigail Folger (herdeira de uma marca de café e namorada de Frykowski) foram massacrados na mansão localizada no número 10050 da Cielo Drive. Foi um dos crimes mais sádicos e brutais do século 20. No dia seguinte, foi a vez de Leno LaBianca (empresário do ramo de supermercados) e sua esposa Rosemary, que foram brutalizados no número 3301 da Waverly Drive. Manson organizou e ordenou os dois assassinatos, mas ele não participou deles pessoalmente.

[arquivo] A Face do Mal: as confissões finais de Charles Manson

Sharon Tate e amigos tiveram a infelicidade de serem mortos porque Manson sabia como entrar na casa onde ela morava. Já os LaBianca foram escolhidos aleatoriamente. Os assassinatos de Sharon Tate e amigos foram cometidos por Charles “Tex” Watson (braço direito de Manson), Patricia Krenwinkel e Susan Atkins – Linda Kasabian acompanhou os matadores, mas não participou diretamente do crime, permanecendo do lado de fora da casa. O casal LaBianca foi morto por Watson, Krenwinkel e Leslie Van Houten. Manson ficou eufórico: ele realmente achava que a polícia iria pensar que os massacres teriam sido executados pelos negros e assim a guerra racial começaria finalmente.

Nos locais dos crimes, a gangue de Manson escreveu com sangue “Healter Skelter” (sic), “Death to Pigs” e “Arise”. Os investigadores não sabiam que as expressões tinham sido retiradas de faixas do White Album. Demorou para a polícia montar o quebra-cabeça e enquadrar a turma de Manson. Foi graças ao trabalho diligente do promotor Vincent Bugliosi que os hippies assassinos foram parar atrás das grades. O livro Helter Skelter, de Bugliosi, se tornou um Best-seller instantâneo, além de ser leitura obrigatória para entender o caso.

O estrago tinha sido feito. Os Estados Unidos entraram em uma onda de pânico. Conforme declarou à Rolling Stone Brasil o fotógrafo de celebridades Julian Wasser, que clicou a cena do crime, “depois dos assassinatos cometidos pela família Manson, em 1969, tudo radicalizou. A paranoia ficou insuportável e a estrelas começaram se proteger dos fãs”.

A princípio, o pessoal da contracultura não acreditava que Charles Manson fosse um monstro assassino. Muitos jovens e intelectuais achavam que ele era um líder e visionário que tinha sido vítima dos conservadores, que inventaram tudo para criminalizá-lo de forma a diminuir o “poder jovem”. A Rolling Stone EUA deu bastante espaço para o caso Manson. O assassino foi capa da revista em junho de 1970, em uma das edições mais lembradas da RS EUA. David Felton e David Dalton tiveram acesso irrestrito a Manson, que aguardava julgamento. O assassino concordou em falar à vontade com a publicação, já que acreditava que a Rolling Stone “estava do seu lado”. Felton tinha coletado um material enorme e a matéria acabou sendo dividida em seis partes. Para cumprir o prazo, o publisher Jann S. Wenner não deu moleza para o repórter. Wenner trancou Felton na redação da revista, segundo este, “sem poder trocar de cueca e sem direito a pasta de dentes”. Ele só foi liberado depois de entregar o perfil, que virou referência sobre a vida de Manson.

Charles Manson: o homem mais perigoso do mundo

Manson e sua gangue foram condenados à morte, mas a sentença foi comutada para prisão perpétua. Por muito tempo, ele foi uma espécie de celebridade do lado negro. Manson concedia várias entrevistas para a televisão norte-americana e nunca decepcionava ao encarnar o psicopata falastrão e exagerado, “vítima da sociedade”. O assassino foi retratado em inúmeros documentários. Os crimes cometidos por sua gangue também inspiraram vários filmes. Dois deles foram batizados (em inglês) de Helter Skelter. O primeiro, produzido em 1976, foi um filme campeão de audiência e chegou a ser exibido na TV brasileira sob o título de Os Crimes de Charles Manson. Steve Railsback estava no papel principal. Em 2004, Jeremy Davies interpretou Manson em uma nova versão do caso feita para a TV. Marcelo Games viveu o assassino na produção independente The Manson Family, uma mistura de ficção e documentário.

Muita gente ainda acreditava que ele tinha algum talento musical. As gravações caseiras que Manson fez entre 1967 a 1969 foram reunidas no álbum Lie: The Love and Terror Cult, lançado em 1970 de forma independente. Guns N’ Roses e Marilyn Manson (que escolheu o sobrenome para “homenagear” Charles) foram alguns dos que gravaram canções de Charles Manson. “Real Solution #9”, do White Zombie, foi inspirada nos assassinatos da Família Manson.

Já Dennis Wilson, responsável por ter “descoberto” Manson, foi aterrorizado pela sombra do psicopata por anos. Uma das condições para que desse entrevistas era que o assunto não fosse citado. Em certa ocasião, o músico comentou com um amigo: “Manson é um cuzão desprezível. Não tenho nada a ganhar falando sobre ele”.

Categorias: Notícias

A Face do Mal: as confissões finais de Charles Manson

RollingStone - seg, 20/11/2017 - 12:54

O notório criminoso Charles Manson morreu no último domingo, 19, aos 83 anos de idade. Em 2013, ele concedeu uma extensa entrevista à Rolling Stone EUA, que foi base para o texto abaixo

No San Joaquin Valley, na Califórnia, entre Bakersfield e Fresno, na periferia da cidade cheia de moscas, de vento, de fedor e de ar seco de Corcoran, fica a ampla Corcoran State Prison, onde Charles Manson cumpre o restante da sentença de prisão perpétua pela participação nos assassinatos do caso Tate-LaBianca, que encerraram a era de paz e amor, em 1969. Ele acaba de entrar na sala de visitas. Não tem a mesma aparência de antes, claro, quando aparecia todo resplandecente em roupas de pele de veado com franjas, às vezes usando gravata ou um colete de retalhos, ostentando um cavanhaque sedutor e olhos loucos de Rasputin. Era o tempo em que saltava da cadeira para atacar o juiz que presidiu o julgamento, segurando um lápis, pronto para perfurar a garganta do velho, antes de ser contido, ajudando a concretizar o veredicto de “culpado”. Esses dias se foram. Ele tem 79 anos. É um velho grisalho, com audição e pulmões ruins e dentadura rachada. Anda com uma bengala e a levanta saudando os visitantes, um deles uma morena esguia que ele chama de Star. “Star!”, diz. “Não é uma mulher. É uma estrela na Via Láctea!” Ele abre os braços, sorrindo, e ela flutua na direção dele.

Galeria: como o cinema e a televisão retratam o infame psicopata

De uma plataforma elevada no centro da sala, dois guardas armados com spray de pimenta e cassetetes ficam de olho no casal. Star tem 25 anos, vem de uma cidade à beira do rio Mississippi, foi criada como batista, veste-se muito bem e tem senso de humor. Já Manson é o assassino mais infame de todos os tempos. Foi chamado de “diabo” pela maneira como influenciou os seguidores a matar em seu nome. Passou os últimos 44 anos na prisão e quase 60 anos encarcerado, o que significa que foi um homem livre por menos de duas décadas de vida. Nunca sairá de lá. Star, que não divulga o nome verdadeiro, vive em Corcoran há sete anos. Não foi a reputação assassina de Manson que a atraiu até aqui, mas sim a postura ambiental dele, pró-Terra, em favor das árvores, água e animais. Ela ficou para se tornar a defensora mais ardente do criminoso, para comandar diversos websites “Dê uma chance a Manson” e para visitá-lo todo sábado e domingo, por até cinco horas por dia, desde que ele não esteja na solitária. “As pessoas acham que sou louca”, ela diz. “Mas não sabem. Eu nasci para isso.”

As regras da sala permitem um beijo no começo e no final de cada visita. É o que eles fazem. Depois, sentam-se um de frente para o outro a uma mesa. A primeira coisa que se nota em Manson é o X (mais tarde alterado para uma suástica) que ele marcou na testa durante o julgamento, para protestar contra o tratamento pela lei, um ato logo copiado por seus colegas de quadrilha – e tantos anos depois, pela garota sentada diante de si, Star, que recentemente também cortou um X na testa. A segunda coisa é que a aparência dele é ótima. Apesar da idade, não há nada de velho nojento nele, nenhum pelo saindo das orelhas nem do nariz, ou baba nos cantos da boca. A camisa azul aprovada pela penitenciária não tem um único amassado, nem manchas de comida. Ele fala suavemente, muito diferente das entrevistas na TV nos anos 80 e 90, quando, por exemplo, inclinou-se em direção à jornalista Diane Sawyer, urrando: “Sou um gângster, mulher, eu roubo dinheiro!”.

Os Primeiros Furos: como a Rolling Stone conseguiu uma reportagem exclusiva sobre Charles Manson nos anos 1970

Manson suspira e senta, parecendo confuso. No entanto, antes que eu note, ele se aproxima e dá um peteleco na ponta do meu nariz, rápido como a língua de um sapo. Ele se inclina para a frente. Posso sentir a respiração dele na minha orelha. “Já toquei todo mundo no nariz, cara”, diz baixinho. “Não há ninguém que não possa tocar no nariz.” Pende para um lado e fala: “Sei o que você está pensando. Relaxe”. Um tempo depois, afirma: “Se posso encostar em você, eu posso te matar”.

Ele coloca a mão no meu braço e começa a esfregá-lo. Uma hora depois, estamos conversando sobre sexo no rancho nos velhos tempos, como era, com todas aquelas garotas ali, rapazes também, a coisa do sexo grupal. “Foi tudo assim”, ele diz, colocando a mão no meu braço novamente, deslizando-a na dobra do cotovelo. “Era daquele jeito. Todo mundo fazia. Não existe dizer ‘não’. Se eu te puxo, você tem de remar com a maré. Você estava com alguém que todos querem.” Concordo. Por um momento, com a mão dele na minha pele, vejo como era. A sensação de ir com a maré é boa, mesmo se é a maré de Charles Manson e mesmo se, já que ele pode encostar em mim, ele conseguiria me matar, como provavelmente era também naquela época.

Enquanto isso, Star está organizando uma pequena comilança: doces, torta de abóbora, batata frita, bolo de morango, doces de manteiga de amendoim. Manson pega um doce e toma um refrigerante. É assim que ele passa o tempo hoje. É assim que ele espera a vida acabar.

Graças à ligação com astros do rock, Charles Manson foi o criminoso mais conhecido de todos os tempos

O que a maioria das pessoas sabe e acredita sobre Manson deriva quase totalmente do relato de 600 páginas feito pelo promotor público Vincent Bugliosi sobre os crimes, a investigação e o julgamento, Helter Skelter (no Brasil, lançado como Manson, Retrato de um Crime Repugnante), com mais de 7 milhões de cópias vendidas desde 1974, mais do que qualquer livro sobre um crime na história. Ainda hoje, é uma obra assustadora, de fritar o cérebro.

Bugliosi descreveu assim: em 21 de março de 1967, depois de cumprir uma pena de seis anos por violar a condicional de uma prisão por falsificar um cheque de US$ 37, o criminoso de carteirinha Charles Milles Manson, de 32 anos, saiu de trás das grades e foi para o mundo de psicodelia, paz e amor de São Francisco. Era o Verão do Amor. Ele nunca tinha visto algo parecido – amor livre, comida de graça, muitos abraços, maconha e ácido, garotas, tantas garotas, muitas delas perdidas, simplesmente procurando alguém que lhes dissesse que elas tinham sido encontradas. Charles Manson era seu homem. Ele tocava violão, tinha a aura de ex-prisioneiro, um bom discurso metafísico de liberdade. As mulheres o adoravam, começando com a bibliotecária Mary Brunner, seguida pela bonitinha Lynette Fromme (chamada de Squeaky), pela ninfomaníaca Susan Atkins e pela ricaça Sandra Good. Esse foi o começo do que o advogado mais tarde chamaria de “Família” – e também o início do fim para Manson.

O grupo se mudou para Los Angeles. Manson queria ser um astro do rock. Ficou amigo de Dennis Wilson, do Beach Boys, e do produtor musical Terry Melcher. Estava chegando lá. Todo mundo transava com todo mundo. Era assim, exceto quando, como algumas das garotas testemunharam mais tarde, Manson as agredia. Eles moravam no Spahn Ranch, um antigo cenário para filmes de faroeste. Lá, Manson declarava ser Jesus e todos o tratavam como tal, o que levou à crença de que ele tinha uma atração hipnótica e enigmática sobre as pessoas. Por um tempo, foi tudo bom. Jovens que nunca haviam tido um lar de verdade agora tinham um. Só que algo mudou em 1969. Os Beatles haviam lançado o “Álbum Branco” e Manson desenvolveu uma ligação bizarra com a faixa “Helter Skelter”. Ele a idealizou em uma guerra apocalíptica futura entre negros e brancos, durante a qual ele e sua gangue viveriam no deserto, no subsolo, em uma terra mágica de leite e mel depois da qual os negros, que a haviam vencido, implorariam para que ele fosse seu líder, porque não conseguiriam liderar a si mesmos.

Segundo o relato de Bugliosi, Manson se cansou de esperar a guerra começar. Então, em 9 de agosto de 1969, decidiu iniciá-la enviando o ex-atleta escolar Tex Watson, a ex-estudante de faculdade católica Patricia Krenwinkel, a ex-cantora de coral de igreja Susan Atkins e a recém-chegada Linda Kasabian a uma casa em que alguns ricos viviam na Cielo Drive, em Los Angeles, com a ordem de “destruir totalmente todo mundo dentro [dela], da forma mais nojenta possível”. Eles deveriam deixar sinais de bruxaria e profecias que fariam parecer o trabalho do grupo Panteras Negras. Não havia como dizer “não” – pelo menos ninguém disse “não”. “Sou o diabo e estou aqui para fazer o trabalho do diabo”, anunciou Watson ao entrar na casa. Vinte e cinco minutos e 102 facadas depois, tudo acabou, pelo menos por aquela noite.

Entre os assassinados estavam a atriz Sharon Tate, de 26 anos, grávida do diretor Roman Polanski; o cabeleireiro de celebridades Jay Sebring, 35; o roteirista Voytek Frykowski, 32; e a herdeira da fortuna dos cafés Folger’s, Abigail Folger, 25. Na noite seguinte, os assassinos atacaram novamente, de novo sob orientação de Manson, com a ex-rainha de formatura Leslie van Houten incorporada ao grupo, adicionando outras 67 facadas ao total e matando um casal aparentemente aleatório, o dono de supermercado Leno LaBianca, de 44 anos, e a esposa, Rosemary, de 38 anos, enquanto descansavam em casa. Nos dois casos, deixaram palavras como “porco” e “morte aos porcos” escritas com sangue nas paredes, em uma porta e na geladeira.

Com mais de 50 anos de carreira, Julian Wasser se especializou em registrar personalidades que deixaram marcas no mundo do entretenimento.

Na opinião de Bugliosi, essas coisas deveriam conectar os crimes aos negros. Os brancos perseguiriam os negros, estes se defenderiam, e a revolução começaria. Ele afirmou que Manson chamou isso de “Helter Skelter”, como a música dos Beatles. Era um cenário absurdo, maluco, que os colegas da lei de Bugliosi queriam que ele trocasse por algo mais comum, como roubo ou tráfico de drogas que deu errado. No entanto, não dava para deter Bug, como Manson o chama. Ele deu imunidade a Linda Kasabian – aparentemente ela estava do lado de fora quando os assassinatos aconteceram – e, tendo-a como principal testemunha, conseguiu vender “Helter Skelter” não apenas para o júri mas também para o resto do país. Em 1971, todos os réus foram declarados culpados e sentenciados à pena de morte, que foi transformada em perpétua quando o Estado cancelou esse tipo de sentença. Atkins morreu de câncer em 2009, aos 61 anos. Krenwinkel, de 65 anos, e Van Houten, de 64, estão na penitenciária California Institution for Women em Chino, onde são prisioneiras-modelo e continuam esperando liberdade condicional. Watson, hoje com 67 anos, está encarcerado na Mule Creek State Prison em Ione (Califórnia). Ele confessou ter realizado todos os assassinatos, com as garotas basicamente só esfaqueando as vítimas quando estas já estavam mortas, se é que isso faz alguma diferença. Hoje, todos repudiam Manson. Bugliosi, de 79 anos, depois de uma longa carreira como promotor e autor de best-sellers, agora passa o tempo descansando em casa na Califórnia, lutando contra um câncer e dando poucas entrevistas.

“Há milhares de condenados ruins, refinados por aí, e tivemos assassinatos mais brutais do que os cometidos por Manson, então por que ainda falamos de Charles Manson?”, pergunta Bugliosi. “Ele tinha uma qualidade que um milésimo de um por cento das pessoas têm. Uma aura. ‘Vibração’, os jovens chamavam nos anos 60. Aonde quer que ia, as pessoas gravitavam em sua direção. Isso não é normal.”

Falei pela primeira vez com Star em setembro de 2012, e com Manson pelo telefone em novembro; depois disso, ele hesitou em me ver, alguns dias concordando, outros dizendo “não”. Outras vezes me repreendia por ser um fantoche da mídia. “Você é um cara distante, viu”, disse uma vez. “Só encontro pessoas como você quando vou roubá-las. Você é um esnobe, não falo com gente esnobe”, rosnou. Quando visitei Star em setembro deste ano, Manson mais uma vez deixou claro que não me veria, mas mudou de ideia na última hora e, então, depois de nossa conversa inicial, pediu que eu voltasse no dia seguinte.

Ao longo dos anos, o rosto e o nome de Manson conseguiram permanecer firmemente na imaginação do público, independentemente do que ele próprio queira. Você pode ver seu olhar de buraco negro em camisetas e reprises do episódio “Feliz Natal, Charlie Manson!” do seriado South Park. Ele inspirou filmes e um musical. Em uma entrevista com Manson para a TV em 1988, o apresentador Geraldo Rivera o chamou de “pesadelo de uma nação” e Manson se esforça para confirmar essa noção. Isso também explica por que o caso nunca desapareceu. Na internet, cada detalhe está aberto para reavaliação e reinterpretação.

Agora, eis Manson na cadeia, onde está há tanto tempo, insistindo na mesma coisa que vem falando basicamente desde o começo. Ele não disse para Tex ir matar alguém (“Não orientei ninguém a fazer porcaria nenhuma”); fala que é inocente (“Nunca matei ninguém!”); não havia nenhuma Família (“Bug inventou isso!”); desmente ser o líder (“somos todos livres aqui. Não sou o chefe de ninguém!”), “Helter Skelter” não era o que Bugliosi disse que era (“Cara, isso não faz sentido maluco algum!”). Fala que seu direito de atuar como o próprio advogado foi incorretamente negado durante o julgamento (“Queria meus direitos!”), e que o governo lhe deve US$ 50 milhões “por 45 anos de baboseiras”. No final, diz que nada é importante se pensarmos no que estamos fazendo com nosso ar, nossas árvores, nossa água, nossos animais.

“Olha, é assim que funciona”, ele diz. “Você pega um bebê e” – aqui ele diz algo horrível mesmo sobre o que se poderia fazer com esse bebê, muito pior do que qualquer coisa que você poderia imaginar – “e ele morre”. Em seguida, ele fala algo igualmente horrendo. E continua: “Sei o que você está pensando. Consigo ver seu cérebro remoendo e funcionando, mas o que acontece quando aquele bebê morre?” Ele inspira e expira, inspira e expira. “Um cachorro teria feito isso, matar para respirar de novo. Então, foi errado fazer isso com aquelas pessoas?” É em momentos como esse que você percebe que a prisão é o único lugar para Manson e espera desesperadamente que ele nunca mais coloque a mão sobre sua pele.

As visitas a Manson são exaustivas para Star, e ela dirige com calma pelos 3 km que separam a casa dela da penitenciária. Antes, ela fazia o caminho com um homem alto, magro, assustador, chamado Gray Wolf, de 64 anos, que acredita em Manson desde os dias do Spahn Ranch. Ele fez um X na testa ao mesmo tempo que Star, mas foi preso neste ano por tentar contrabandear um celular para Manson, e lá se foram os direitos de visitação dele, deixando essa pequena e delicada moça como a única companhia do prisioneiro no fim de semana.

A forma como Star chegou aqui é basicamente a mesma como muitas garotas do Spahn Ranch chegaram aonde iam – como uma reação ao mundo ao seu redor e como ele as fazia sentir. Star cresceu à beira do rio Mississippi, perto de St. Louis, gostava de I Love Lucy na infância, teve pais religiosos que detestavam todos os seus amigos. “Eles achavam que eu estava me transformando em uma hippie”, conta. “Fumava maconha, comia cogumelos, não queria ir para a igreja aos domingos. Eles são batistas e queriam que eu fosse uma esposa de pastor.” Para mantê-la longe de encrencas, eles a trancavam no quarto, onde passou boa parte da adolescência. Como Manson, encontrou uma maneira de conviver com esse confinamento e solidão. Um dia, um amigo lhe deu um papel com algumas palavras de Charles Manson sobre o meio ambiente. Ela nunca tinha ouvido falar dele, mas gostou do que tinha a dizer – “O ar é Deus, porque sem ar não existimos” – e começou a escrever para ele. Depois que a correspondência engrenou, ela arriscou. Economizou US$ 2.000 enquanto trabalhava na cozinha de um asilo e, em 2007, enfiou tudo o que conseguiu em uma mochila e pegou um trem para Corcoran. Manson a apelidou de Star, como havia apelidado Squeaky (Red) e Sandy (Blue).

Charles Manson: o homem mais perigoso do mundo.

O apartamento dela não é grande, nem bem iluminado, e tem móveis baratos, com um quarto bagunçado demais para que ela me deixe entrar. Um violão e um estojo de violino ficam em um canto. Nada de TV. Em uma parede está a grande, evocativa foto em preto e branco de Manson no Spahn Ranch, usando um chapéu velho, pendendo para o lado, com um corvo no braço, o homem rústico que conseguia domar pássaros. Em uma mesa está o computador onde Star passa boa parte do tempo tentando reabilitar a imagem de Manson perante o público. Ela fica especialmente irritada com a antiga crença de que ele tem apenas 1,58 m de altura – diz que ele tem pelo menos 7 cm a mais – e acha que Bugliosi publicou intencionalmente essa mentira em Helter Skelter para diminuir ainda mais a estatura de Manson. Ele é baixinho, mas não tanto.

Das garotas originais da família, presumidamente apenas as duas principais ainda acreditam em Manson – Sandra Good, agora com 69 anos, e Lynette Fromme, de 65. O atual paradeiro de Sandy é desconhecido, embora ela tenha sido fotografada recentemente sorrindo e cavalgando uma mula no Grand Canyon. Em 1975, Lynette (ou Squeaky) foi condenada por tentar assassinar o presidente norte-americano Gerald Ford e só foi libertada em 2009. Há muito tempo, é a favorita de Manson. “Aquela garotinha, Lynette”, ele diz, “nunca conheci uma tão verdadeira como ela. Nunca virou a casaca. Ficou 34 anos na prisão e nunca quebrou seu voto. Um homem não consegue fazer isso.” Só que Star está na parada agora, fazendo algumas pessoas que acompanham Manson na internet se perguntar se ela substituiu Squeaky no coração dele.

Star passa o tempo todo online, encomendando coisas para a caixa de presentes permitida todo trimestre para Charles Manson. O pacote tem amendoim torrado, sementes de girassol e abóbora, barras de proteína, mistura para sopa de legumes, vitaminas, biscoitos, pastilhas para garganta, chás, regatas, meias, shorts, um barbeador elétrico e cordas de violão.

Manson acorda cedo, deixa a cela cinza de concreto, toma café da manhã, pega uma marmita de almoço, volta, tira um cochilo, almoça, tira outro cochilo e caminha. Às vezes, joga uma partida de xadrez, depois vai jantar e tem de voltar à cela às 20h45. Não tem horário específico para apagar a luz. “Gosto da minha cela”, diz. “É meu céu na Terra. Sabe, meu melhor amigo está naquela cela. Estou lá. Gosto disso.”

Mesmo assim, ele se preocupa constantemente com o sistema de ventilação do presídio e jura que o ar o está matando. Tem medo de que os guardas coloquem lixo em seus sapatos só para zoar. Diz que sempre tem de estar em alerta máximo. Nunca ficou junto com outros presos, está sempre em algum tipo de unidade de abrigo protetor, onde supostamente é mais difícil os outros entrarem em contato com ele. Ainda assim, em 1984, em uma outra penitenciária, um homem o encharcou de removedor de tinta e botou fogo em sua cabeça. Agora, ele tem apenas 15 prisioneiros com os quais convive, entre eles Juan Corona, que matou 25 pessoas em 1971; Dana Ewell, que encomendou o assassinato da própria família, em 1992; Phillip Garrido, estuprador que raptou Jaycee Lee Dugard, na época com 11 anos, e a manteve refém por 18 anos; e Mikhail Markhasev, condenado por matar o filho de Bill Cosby, Ennis. Até o momento, parecem se dar bem.

Manson não vê muita TV. Toca violão e, às vezes, oferece dicas musicais ao colega violonista Corona, também um assassino em série. Ouviria um disco antigo do Doors ou do Jefferson Airplane se conseguisse descobrir como o CD player funciona. Às vezes, tem de deixar a cela enquanto cães farejadores procuram contrabando; durante uma visita recente, eles não encontraram nada, mas deixaram um “presentinho” no chão, divertindo Manson. Ele recebe milhares de cartas por ano, mais do que qualquer outro prisioneiro. De vez em quando, manda autógrafos assinados com a frase “O líder do culto hippie me fez fazer isto”. Durante o tempo atrás das grades, cometeu 108 infrações. Na última, em 2011, foi flagrado com uma “arma fabricada por presidiário” – neste caso, uma haste de óculos afiada – e jogado na solitária por um ano.

No final da tarde, Manson vai até a parede onde ficam os telefones. Suas ligações são gravadas, mas ele pode ligar à vontade, somente a cobrar, 15 minutos por vez. E ele faz muitas. Sei disso, porque as recebo há meses. Ele me liga quando estou no cinema, quando estou dirigindo, quando estou em festas, quando ando com meus cachorros no parque, quando estou em qualquer lugar onde ele nunca mais estará. Quer discutir o meio ambiente – “o fim está a caminho, garotão” – e o que deve ser feito com relação a isso. Uma vez, enquanto me falava sobre o bem de matar para conseguir mais ar, disse: “Quem é morto, esta é a vontade de Deus. Sem matar, não temos chance”. Fez uma pausa, e continuou: “Você pode querer não escrever isso e falar para si mesmo ‘Como isso pode funcionar para mim?’.” Na época, não dei bola. Demorei um tempo para absorver o que ele estava sugerindo.

Às vezes, Manson parece solitário. Depois, tenta me atrair. Mudo de assunto, como é necessário fazer de vez em quando com ele, rispidamente, sem gentilezas, e digo que estou com urticária. Ele se anima e me aconselha a lavar as bolhas com vinagre de maçã. Depois, fica irritado com algo e grita: “Sou um fora-da-lei, um gângster, um rebelde e não dou tiro de advertência”. Isso me faz sorrir, porque é uma coisa bastante cômica para dizer sobre si mesmo.

Você pode não querer saber sobre a vida sexual dele, mas ele conta mesmo assim. “Você acha que sou velho demais para me masturbar. Pensa: ‘É velho demais para transar com o travesseiro’, só que não sou. Ainda sou ativo com meu cano. Eu ainda sou eu.”

Ele reserva uma boa dose de veneno para Bugliosi. “Ele sabe que sou estúpido demais para me envolver em algo da magnitude de ‘Helter Skelter’. Então, como conseguiu se convencer disso por todos estes anos? Ganhou dinheiro, ganhou o caso. É um vencedor! Um gênio! Tomou 45 anos da vida de um homem para satisfazer a ganância, e vai para o leito de morte com isso na consciência? Não há nenhuma honra nele?”

Fala novamente sobre como não tem pena nenhuma das vítimas dos casos Tate e LaBianca, especialmente de Sharon Tate. “Era uma estrela de Hollywood. Quantas pessoas ela matou nos filmes? Era tão bonita assim? Comprometeu o corpo por tudo o que fez. E, se era tão bonita, o que estava fazendo na cama de outro homem quando aquilo aconteceu? Que merda é esta?” Finalmente, ele recorre à velha alegoria de Jesus e diz: “Acho que você não entende a gravidade da situação, cara. Como pode entrevistar Jesus quando Ele está morrendo na cruz?”

Depois de 44 anos, os fatos no caso de Charles Manson não são mais fatos propriamente ditos – são crenças e conclusões formadas por pedaços de luz desviada e redirecionada ou, como Manson gosta de chamá-las, são “perspectivas”. “‘Helter Skelter’ não foi uma mentira”, diz. “Só não foi a perspectiva de Bugliosi. Todos contam como querem lembrar. Mais cedo ou mais tarde, temos de nos submeter ao ponto de vista do outro. Claro, estava acontecendo, mas era só parte da parte. Os motivos foram todo tipo de coisas diferentes que estavam acontecendo na mente de Tex e na mente de todos nós, e há muitas discrepâncias diferentes ali que não se correlacionam de fato. Houve muitos motivos, cara, você tem um motivo para cada pessoa ali. Foi uma ideia coletiva. Um episódio psicótico, e você quer me culpar por aquilo?”

Manson sempre diz que o tempo não significa nada para ele, que “nos corredores da eternidade... vivo mil anos em um segundo, cara”, então, acreditando na palavra dele, hoje é o dia em 1934 no qual ele nasceu, filho de uma adolescente de 16 anos em Cincinnati. Nunca teve um pai que conhecesse e a única mãe que conhecia era uma bêbada irresponsável. Foi criado em centros de detenção e escolas reformatórias e recebeu uma educação adulta, embora não muito boa, de presidiário. Virou um péssimo criminoso, um cafetão incompetente, um péssimo ladrão de carros, um gatuno de mão pesada, um cara que foi pego toda vez que infringiu a lei. Antes dos assassinatos, tudo era patético e risível. Se você diz isso a Manson hoje, até ele, depois de um momento de silêncio ponderado, afirma: “Ok, tá bom, é, é. Tudo bem, você está certo nesta”, para depois dizer: “Só que não sou uma pessoa, nunca fui uma pessoa. Sou um animal criado a vida inteira em gaiolas”. Esse é o início da história dele, tudo o que você precisa saber. Dá para imaginar o restante. Pense no pior. Só duas décadas de uma longa vida passadas como um homem livre.

Ele se gaba de ser tão livre na prisão quanto em qualquer outro lugar. “Você é único no presídio, cara.” No entanto, no 79º aniversário dele, ele me liga, com a voz baixa e distante, e diz: “O que você acha? Acha que esta matéria me ajudará a sair daqui, mesmo que por pouco tempo, antes que eu vá?” E aí está a cicatriz humana em Manson, aberta e vazando, e ela meio que comove o coração.

Só que Manson sempre entendeu que não pertence ao mundo lá fora. Antes de ser libertado da prisão, em 1967, disse a um dos guardas que não queria ir. No entanto, em 1971, ao final do julgamento, com uma sentença de morte pairando no ar, ainda queria se defender perante o júri, montar o tipo de defesa que só ele poderia, e sente que Bugliosi de alguma forma não lhe deu essa chance ao fazer o tribunal negar sua solicitação para ser o próprio advogado, e essa é uma das coisas que até hoje ainda o deixam possesso.

Hoje, dentro da sala de visita de Corcoran, Star está usando um vestido xadrez. Está muito bonita, muito feliz, enquanto se ocupa com um papel-toalha, limpando da mesa o desinfetante roxo pegajoso e fedido que a penitenciária usa. Estou feliz por Gray Wolf ter perdido os privilégios de visitação. Ele é um maníaco por controle, fitando Star com olhos fundos sempre que ela diz algo de que ele não gosta. Eu também não sei se gosto de estar perto dos dois ao mesmo tempo. Eles fazem qualquer coisa que Manson diga, incluindo marcar a própria testa com um X.

Star é uma versão muito mais bonita de Susan Atkins, também conhecida como Sexy Sadie, a verdadeira louca da Família Manson. Durante seu julgamento, Susan depôs: “[Sharon Tate] ficava pedindo e implorando. Fiquei cansada de ouvir aquilo, então a esfaqueei... Como isso pode não ser correto quando é feito com amor?” Ao falar sobre os assassinatos, Star diz: “Sharon Tate não era uma estrela de cinema. Mesmo agora, ninguém ouviu falar dela pra valer, embora supostamente tenha sido morta por Charles Manson, o homem mais famoso do mundo. E esse é o único motivo pelo qual qualquer um saiba quem é, e mesmo assim ninguém sabe quem diabos ela é”.

Star olha para cima e eis Manson novamente, sorrindo. Ele empurra uma cadeira de rodas à sua frente, usando-a para apoio, mas é tudo um show, parte de algum protesto contra o sistema. Dois minutos depois ele está de pé, fazendo a dança do dragão do kung fu que historicamente reserva para quando as câmeras de TV estão ligadas. Fez isso para Charlie Rose em 1986, Penny Daniels em 1987 e Geraldo Rivera em 1988. Esses foram os anos dourados de sua exposição na mídia na meia-idade. Em entrevistas, era uma imensa força cinética, constantemente mexendo no longo cabelo que estava ficando grisalho e brincando com a barba, olhar penetrante, enrolando e dominando alguns de seus adversários, sendo bonzinho e atencioso com outros, e sempre vociferando com indignação justa. Sempre foi maravilhoso vê-lo na TV, mas depois de uma conversa explosiva, quase sexualmente agressiva com Diane Sawyer em 1994, o estado da Califórnia baniu o uso de dispositivos de gravação durante entrevistas com prisioneiros. Isso deixa Manson irritado. É o motivo pelo qual você não ouviu falar dele ultimamente. Manson tende a ficar chateado com isso. A principal razão é a dança, a grande apresentação em tantas aparições diante das câmeras.

Ele usa a manga da camisa para limpar a remela que resta nos olhos, então coloca a mão sobre a minha, desliza os dedos sobre os meus, até o punho e o braço. Aperta-o algumas vezes e diz: “Cara, você é macio”. Faço piada com isso, falando que não sou desses. Ele encolhe os ombros. “Sexo para mim é como ir ao banheiro. Seja com uma garota ou não, não importa. Não caio nessa de homem-mulher.”

Então, acena para Star e diz: “Posso penetrá-la daqui, só tenho de ir devagar”. Balança a cabeça e se inclina em minha direção, chegando mais perto. “Bom, sabe o que eu gostaria mesmo de ter? Uma boceta de verdade. Algo para fumar. Uma boa guitarra. Um bom lugar para cagar. Gostaria de ter o que você tem.” Ele não está me ameaçando, só falando. Isso provoca lembranças. “Todas as pessoas chupando e transando no rancho, eu não podia recusar nenhuma delas. Só queria uma boceta, tocar música e dançar. Tirei Susie do fundo do poço. Diziam que ela era feia, parecia um homem. Falei que era um belo exemplar de humanidade. Ela me recompensou, colocou a faca sangrenta em minhas mãos e disse: ‘Eu te amo tanto, dou minha vida para você’. E Leslie, bom, transei com ela algumas vezes. A dela era grande, gorda e feia, era como colocar o pau na janela. Não que isso a torne uma má pessoa, mas não é o que se quer.”

Ele faz uma careta, de mau humor, sentado com as pernas abertas, com a barriga redonda de presidiário entre elas. “Todos foram lá e mataram, mas, claro, eu não faria nada”, continua. “Você pensa que eu mataria todas aquelas pessoas? Estava com medo, não queria voltar para a prisão. As baratas têm mais vida do que eu. Não faço... nada.” Ele se levanta. “Que vida, cara. Uma grande merda.”

Novamente, Manson fala da conversa que teve com Tex, que queria saber o que fazer. Ele ainda está de pé, ombros para trás, sangue e raiva subindo para seu rosto. “Não me pergunte o que fazer!”, grita, socando o ar. “Uma coisa que você não quer fazer é pisar em mim. Não queira fazer isso. Cara, você sabe o que fazer. Faça!” Os guardas olham, esperam que ele se acalme e voltam a ver TV.

“Viu”, diz, “não há conspiração aí.” Talvez, mas agora consigo ver como ele pode ter convencido Tex e dito a ele o que fazer sem ter de falar exatamente. Está na fúria repentina, no rugido explosivo e perturbado da voz, na linguagem silenciosa e provocadora do corpo expressivo, naquela dança que pode dizer mais a respeito dele do que as palavras.

Ele se senta novamente. Pergunto onde ocorreu a conversa com Tex. Manson fica em silêncio. No passado, falou que não estava no Spahn quando Tex e as garotas saíram, que estava em San Diego e falou com Tex pelo telefone, só retornando ao rancho mais tarde. Como um lembrete, Star se aproxima e diz: “Você estava ao telefone”. Manson olha para ela, depois para mim, depois para a parede e fala: “Eu não sei – que é o que falo quando estou tentando escapar de algo”.

Um instante se passa. Ele dá aquele sorriso de meio homem, meio demônio. “Sou preguiçoso”, continua. “Faço todo possível para não fazer nada. Assim, sobrevivo. Não quero assumir responsabilidade. O erro que cometi foi não ter ido com eles. Tex estava com medo. Filhinho da mamãe. A segunda noite correu melhor, porque tive uma participação nela. Na situação, não nos assassinatos. Não, cara, eu não estava lá para aquilo. Eles fizeram uma bagunça na primeira noite. Se eu estivesse lá, teria sido muito melhor. Teria feito do jeito certo.”

Ele balança a cabeça. “Tex sempre fez o que falei. Não precisava. Podia ter saltado na estrada e abandonado, mas, quando veio ao rancho, fez o que falei. Eu o tinha visto pela primeira vez na vida e queria falar como ele, andar como ele. Lá estava eu, na sarjeta, cara, e ele veio junto. Ele tinha um carro legal, e meu erro foi deixá-lo entrar no meu mundo por causa disso. Eu era muito inteligente. Isso me custou 45 anos, por causa de uma maldita picape Dodge.”

Um dia, falo ao telefone com Bugliosi. Nos 40 anos desde que Helter Skelter fez dele um autor de best-seller, ele escreveu outros 12 livros, o mais recente sendo Divinity of Doubt: The God Question [A Divindade da Dúvida: A Questão de Deus]. Ele começou atacando Manson, o Anticristo, e agora argumenta que a existência de Deus não pode ser provada. Como Manson diz, Bugliosi é um vencedor. E ele continua afiado. Como Manson, tende a sair pela tangente, principalmente com relação a questões médicas desagradáveis, mas, diferentemente de Manson, sempre volta para o aqui e agora.

Ele continua: “Acho que todos os que participaram dos assassinatos caíram direitinho na teoria de Helter Skelter. Será que o próprio Manson acreditava em todas as coisas ridículas e absurdas sobre todos eles morando em um buraco sem fundo no deserto enquanto uma guerra mundial acontecia fora dali? Penso, sem saber, que ele não acreditava”. Faz uma pausa. “Acho que um motivo para ele não ter participado dos assassinatos é ter pensado que isso o imunizaria ou isolaria de responsabilidade criminal. Mas se você é culpado de conspiração para cometer assassinato e ele ocorre, então também é culpado. É a lei básica.”

Mais tarde, quando estou deitado na cama assistindo a The Big Bang Theory na TV, Manson liga novamente. Às vezes o ignoro. Talvez eu não queira escutar mais um de seus discursos lunáticos elaborados, sem dúvida, para me levar a algum lugar aonde não quero ir. Star e Gray Wolf me imploraram para ir com a maré e ver aonde isso leva. Nem pensar.

Só que hoje atendo. “Inspire e expire, inspire e expire”, ele diz. “Sou o último suspiro sobre a Terra, cara. Algumas pessoas aqui querem que eu assine uma ordem de não reanimação. Escrevi no papel: ‘Por que deveria?’ Muita gente quer que eu morra. Bugliosi quer que eu morra antes dele, caso contrário serei vencedor.” Assim a batalha deles continua, pelo menos na cabeça de Manson.

Depois da visita a Manson em um domingo, Star e eu dirigimos pela desolada Corcoran, paramos para tomar um milk-shake e vamos até o grande parque comunitário, a única área verde na região, e encontramos um banco para sentar. “Não dou a mínima para o que aconteceu em 1969”, ela diz no caminho. Fala de Susan Atkins. “Aquela vadia era maluca. ‘Ah, Charlie, fiz isso por você’. Não, ela não sabia o que estava fazendo. Aquela garota era uma vadia, totalmente psicótica.” Ela diz isso com tanta veemência que fico até espantado. Não achava que Star era capaz de falar essas coisas.

Então, ela inclina e fala algo chocante, “uma revelação”, como diz. “Vou te contar de uma vez, Charlie e eu vamos nos casar. Não sabemos quando, mas levo isso a sério. Charlie é meu marido. Ele me disse para te falar isso. Não contamos a ninguém.”

Uma coisa é estar aqui, visitando Manson, comprando a cota trimestral de presentes, levando vinagre de maçã para os fungos nos pés dele. De certa forma, consigo entender tudo isso. Senti a mão dele na minha pele, eu o ouvi falar, vi que falava mais com o corpo do que com as palavras. Eu sei. Mas casar com ele?

“Você vai adotar o sobrenome dele?”, eu pergunto. “Sim”, ela responde. “Meus pais gostam de Charlie. Estávamos conversando e eles falaram: ‘Se Charlie sair, vocês podem ficar aqui. Podem ficar no porão por um tempo e talvez construir sua casinha perto do riacho’. ” Haverá visitas conjugais? “Não, quem está em prisão perpétua na Califórnia não tem mais isso”, diz. “Se houvesse, já estaríamos casados. Sabe, essa é a única coisa que quero. Não quero sempre estar naquela sala de visita com as pessoas me olhando. Mas esse é o único momento que tenho para vê-lo. É difícil, mas as coisas mudam. Quem sabe o que pode acontecer?”

Mais um dia, mais uma ligação de Manson. “Star, Star, o bebê está no chão”, ele diz. “Começamos de novo com ela. As outras sabem de tudo agora. Não preciso dizer nada.” Pergunto se as “outras” são Squeaky e Sandy. “Sim”, ele responde.

Isso não soa bem. Manson enxerga Star como uma espécie de projeto, um bebê no chão que ele está ensinando desde o início. Parece ter planos para ela e, historicamente, os planos dele nunca terminaram bem.

E quanto ao casamento? Ele bufa. “Ah, isso”, diz. “É um monte de bobagem. Você sabe, cara. É lixo.

É para o consumo público.”

Não é exatamente uma surpresa ouvi-lo dizer isso. É o tipo de coisa que Manson faz. E Star também, eu percebo, o que é mais surpreendente. Só que até isso faz sentido, assim que você entende que ela é o bebê no chão de Manson. Não vai ser a futura esposa dele, e sim mais uma de suas “filhas”, como Squeaky e Sandy eram, dando os primeiros passos, com ele segurando a mão e mostrando o caminho. Pelo menos, essa é minha percepção.

“Sempre fui muito verdadeiro comigo mesmo, o máximo que posso ser sob as circunstâncias”, Manson diz mais tarde, “mas nunca deduro ninguém, nem a mim mesmo, cara, então é por isso que nunca contei a alguém o que realmente aconteceu na época. Não posso contar agora. Não funcionaria se eu fizesse isso, porque mudaria no dia seguinte. Tudo está mudando constantemente, cara. A mente é uma coisa universal. Charles Manson e Beethoven”, ele diz antes de desligar desta vez. “É só uma ideiazinha.”

Categorias: Notícias

Morre o criminoso Charles Manson aos 83 anos

RollingStone - seg, 20/11/2017 - 12:14

Charles Manson, criminoso norte-americano mundialmente conhecido pelo assassinato da atriz Sharon Tate, morreu no último domingo, 19, aos 83 anos, de acordo com a CBS Los Angeles. Segundo informações do site TMZ, ele estava internado em estado grave em um hospital de Bakersfield, na Califórnia, desde o dia 16 de novembro.

Esta foi a segunda internação do criminoso neste ano. A primeira aconteceu em janeiro, mas ele recebeu alta após um curto período. Manson, um dos mais famosos assassinos dos Estados Unidos, está preso há mais de 40 anos e havia sido condenado à pena de morte. No entanto, a condenação foi comutada para prisão perpétua após a Califórnia banir esse tipo de condenação em 1972.

Charles Manson faz 80 anos e segue como um dos criminosos mais conhecidos e abominados de todos os tempos

História
Nascido Charles Milles Madoxx, no dia 12 de novembro de 1934, em Cincinnati, Ohio, Manson (o sobrenome foi adotado do padrasto, William Manson) permaneceu toda a vida adulta, praticamente, encarcerado após ser condenado por crimes diversos. Quando foi libertado, em março de 1967, tinha 32 anos: era um sujeito semianalfabeto, ladrão de carros, cafetão e falsário. Ele foi parar em São Francisco e, lá, entrou de cabeça no nascente mundo da contracultura. Manson, um músico amador que conhecia preceitos da cientologia, falava com desenvoltura e possuía um intenso carisma. Logo formou uma comunidade de jovens desajustados e que tinham abandonado suas respectivas casas. O grupo era chamado de Família e essa turma vivia de pequenos golpes, comia restos de comida jogados fora pelos supermercados. A Família Manson escolheu como lar um lugar nos arredores de Los Angeles chamado Spahn Ranch, que tinha sido usado para filmagens, anteriormente.

No final de 1968, Dennis Wilson, baterista dos Beach Boys, deu carona para Ella Jo Bailey e Patricia Krenwinkel, duas integrantes da Família Manson. E foi assim que ele conheceu “O Mago” — nome dado ao assassino pelas meninas. Fã dos Beatles, Manson queria ser astro do rock e achou em Dennis Wilson o instrumento perfeito para conseguir o que queria. Wilson começou a levar Manson para lugares badalados, como o lendário clube de LA Whisky a Go Go, e o apresentou para Neil Young e John Phillips (The Mamas and The Papas). Através de Wilson, Manson conheceu Terry Melcher, filho da atriz Doris Day e um dos mais bem sucedidos produtores musicais de Los Angeles.

Charles Manson: como o cinema e a televisão retratam o maior psicopata vivo

Melcher, a princípio, se interessou em ouvir a música de Manson, mas logo percebeu que tinha em mais um psicopata e as negociações não progrediram. Manson nunca esqueceu da “traição” de Melcher e jurou se vingar dele. Manson conhecia o endereço de Melcher e sabia como entrar na casa dele burlando os alarmes. Porém, o produtor se mudou de lá e quem habitou a casa posteriormente foi a atriz Sharon Tate, que tinha 26 anos e estava grávida de quase nove meses do diretor de cinema Roman Polanski.

No dia 8 de agosto de 1969, Sharon Tate e seus amigos Jay Sebring (um famoso cabeleireiro de Hollywood), Wojciech Frykowski (ator polonês) e Abigail Folger (herdeira de uma marca de café e namorada de Frykowski) foram massacrados na mansão localizada no número 10050 da Cielo Drive. Foi um dos crimes mais sádicos e brutais do século 20. No dia seguinte, foi a vez de Leno LaBianca (empresário do ramo de supermercados) e sua esposa Rosemary, que foram brutalizados no número 3301 da Waverly Drive. Manson organizou e ordenou os dois assassinatos, mas ele não participou deles pessoalmente.

As confissões finais de Charles Manson, o mais infame psicopata vivo

Sharon Tate e amigos tiveram a infelicidade de serem mortos porque Manson sabia como entrar na casa onde ela morava. Já os LaBianca foram escolhidos aleatoriamente. Os assassinatos de Sharon Tate e amigos foram cometidos por Charles “Tex” Watson (braço direito de Manson), Patricia Krenwinkel e Susan Atkins – Linda Kasabian acompanhou os matadores, mas não participou diretamente do crime, permanecendo do lado de fora da casa. O casal LaBianca foi morto por Watson, Krenwinkel e Leslie Van Houten.

Categorias: Notícias

Ozzy Osbourne, Paul Stanley e Ryan Adams lamentam a morte de Malcolm Young, fundador do AC/DC

RollingStone - sab, 18/11/2017 - 17:12

O guitarrista e compositor Malcolm Young, fundador do AC/DC, morreu neste sábado, 18. Desde cedo, quando a notícia foi divulgada pela internet, diversos músicos, artistas, amigos e celebridades tomaram as redes sociais para lamentar a morte e fazer homenagens ao músico, que tinha 64 anos e estava afastado da banda australiana desde 2014, sofrendo de demência.

Ozzy Osbourne foi até o Twitter e postou uma foto de Young, escrevendo: “Muito triste em saber da morte de outro amigo, Malcolm Young. Sua falta será profundamente sentida. Deus abencoe o AC/DC”. Paul Stanley, vocalista e guitarrista do Kiss, chamou Young de “motor essencial” do AC/DC. “Um fim trágico para um ícone às vezes não celebrado. Um dos verdadeiramente grandes. RIP”, acrescentou.

No Instagram, o guitarrista do Guns N’ Roses, Slash, pediu “um momento de silêncio” para Malcolm Young, dizendo que este sábado é um dia monumentalmente triste para o rock and roll”. O baterista do Dream Theater, Mike Portnoy, por sua vez, contou que tinha acabado de sair de um palco coincidentemente na Austrália: “Muito triste… um dos maiores guitarristas rítmicos de todos os tempos (James Hetfield e Scott Ian seriam os primeiros a dizer isso)”.

Entre os nomes que homenagearam Malcolm Young estão Eddie Van Halen, Joe Elliott (Def Leppard), Tom Morello (Rage Against the Machine, Audioslave, Prophets of Rage), Joe Satriani e Ryan Adams, entre muitos outros. Até mesmo alguns diretores de cinema, incluindo Edgar Wright, de Em Ritmo de Fuga (2017), e James Gunn, de Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017), escreveram palavras amistosas ao ex-guitarrista do AC/DC.

Abaixo, veja um compilado do que foi dito sobre a morte de Malcolm Young nas redes sociais.

So sad to learn of the passing of yet another friend, Malcolm Young. He will be sadly missed. God Bless @ACDC pic.twitter.com/HuEp3kCuyQ

— Ozzy Osbourne (@OzzyOsbourne) November 18, 2017

RIP Malcolm Young
Legend.
He was the founding member of AC/DC & the engine that roared behind the most powerful band in the world.
He wrote Back In Black, Highway to Hell, You Shook Me All Night Long, Highway to Hell, so many songs...
Travel safely to the stars, Malcolm.
Legend. pic.twitter.com/xfjylBbh4u

— Ryan Adams (@TheRyanAdams) November 18, 2017

The driving engine of AC/DC has died.A tragic end for a sometimes unsung icon. One of the true greats. RIP. https://t.co/cJe1Xr17IA

— Paul Stanley (@PaulStanleyLive) November 18, 2017

Wow...just got off stage here in Brisbane Australia (of all places) to the shocking news of Malcolm Young's passing. So sad...one of the great rhythm guitar players of all time. (James Hetfield and Scott Ian would be the 1st to say so themselves...) #RIPMalcolmYoung pic.twitter.com/qZXHIMpktF

— Mike Portnoy ???? (@MikePortnoy) November 18, 2017

Rest in rock power AC/DC's #MalcolmYoung, #1 greatest rhythm guitarist in the entire history of rock n roll. THANKYOU for everything. pic.twitter.com/boXBDkJJ6W

— Tom Morello (@tmorello) November 18, 2017

This is a monumentally sad day in Rock n Roll. RIP #MalcomYoung Take a moment of silence in his… https://t.co/cjXUzL2NJU

— Slash (@Slash) November 18, 2017

"I’m sad to hear of the passing of Malcolm Young. It was great to get the opportunity to open for AC/DC on the Highway To Hell tour & we certainly learned a thing or two. He was an incredible guitar player & the glue for that band onstage & off. RIP Malcolm, say hi to Bon." - Joe

— Def Leppard (@DefLeppard) November 18, 2017

R.I.P. Malcolm Young

— Joe Satriani (@chickenfootjoe) November 18, 2017

It is a sad day in rock and roll. Malcolm Young was my friend and the heart and soul of AC/DC. I had some of the best times of my life with him on our 1984 European tour. He will be missed and my deepest condolences to his family, bandmates and friends.

— Eddie Van Halen (@eddievanhalen) November 18, 2017

Categorias: Notícias

Fundador do AC/DC, Malcolm Young morre aos 64 anos

Terra Música - sab, 18/11/2017 - 14:15
Malcolm Young, que fundou a banda australiana de rock AC/DC juntamente com seu irmão Angus, ...
Categorias: Notícias

Malcolm Young: assista à última performance dele ao lado do AC/DC

RollingStone - sab, 18/11/2017 - 12:43

Em outubro de 2008, o AC/DC iniciou uma nova turnê, que durou quase dois anos e contou com 168 shows. Foi a quarta turnê mais lucrativa de todos os tempos, tendo faturado quase US$ 450 milhões.

Eles estavam divulgando o disco Black Ice, mas o setlist só trazia quatro faixas do álbum e se dedicava mais aos hits. Naquela época ninguém sabia disso, mas aquele seria o último giro do grupo com o line-up clássico de Back in Black. Antes mesmo da tour começar, o guitarrista Malcolm Young começou a apresentar problemas cognitivos.

Conforme era tradição, todos os shows terminavam com “For Those About To Rock (We Salute You)”. A turnê foi encerrada em Bilbao, na Espanha, em 28 de junho de 2010. Foi a última coisa que Malcolm tocou com o AC/DC no palco. Assista abaixo.

Categorias: Notícias

Páginas